
O papa Leão XIV fez um alerta nesta quarta-feira, 4, sobre os perigos de uma “nova corrida armamentista”, a poucas horas da expiração do último acordo entre Estados Unidos e Rússia que limita o número de armas nucleares das duas potências.
“Faço um apelo urgente para que não abandonem este instrumento sem tentar garantir que tenha um acompanhamento concreto e eficaz”, disse o primeiro pontífice americano, que considera “mais urgente do que nunca substituir a lógica do medo e da desconfiança por uma ética compartilhada”.
“Façam todo o possível para evitar uma nova corrida armamentista, que ameaçaria ainda mais a paz entre as nações”, acrescentou no final de sua audiência semanal no Vaticano.
O último tratado de limitação de armamento nuclear vigente entre Estados Unidos e Rússia, conhecido como Novo START, expira na quinta-feira, 5, eliminando, na prática, as restrições às duas principais potências atômicas.
O acordo foi assinado em 2010 e obrigava as partes a limitar seu armamento, além de incluir um mecanismo de verificação. A Rússia suspendeu sua participação no tratado há dois anos, mas sem uma retirada formal e garantindo que continuaria a respeitar os limites estabelecidos.
Nesta semana, o Kremlin afirmou que o mundo “estará mais perigoso do que nunca” com a expiração do tratado. O governo de Vladimir Putin afirmou ter proposto uma prorrogação de um ano, mas o porta-voz da presidência, Dmitri Peskov, disse na terça-feira 3 que Moscou “ainda não recebeu resposta dos americanos à iniciativa”.
Se o tratado não for prorrogado, as duas principais potências nucleares do mundo “ficariam sem um documento fundamental que limite e controle os arsenais”, acrescentou Peskov.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado em setembro que uma prorrogação do acordo Novo START “soava como uma boa ideia”, mas desde então nenhuma medida foi adotada neste sentido.
Novo START
O Novo START foi assinado em 2010 pelo então presidente russo Dmitry Medvedev e por seu homólogo americano Barack Obama. O tratado inclui um mecanismo de supervisão e estabelece para cada parte um teto de 800 lançadores e bombardeiros pesados e 1.550 ogivas estratégicas ofensivas instaladas — uma redução de quase 30% na comparação com o limite anterior, estabelecido em 2002.
A Rússia, no entanto, suspendeu as inspeções de verificação durante a pandemia de Covid-19 e as negociações para ampliar o acordo foram rompidas nos últimos anos devido às tensões relacionadas à guerra na Ucrânia.
Moscou também acusou Washington de dificultar as missões de vigilância em território americano.
Em 2023, a Rússia congelou sua participação no Novo START, mas continuou respeitando voluntariamente os limites estabelecidos no tratado. Ao longo do conflito na Ucrânia, porém, o governo russo intensificou a retórica nuclear e, em 2025, testará seus mais novos porta-aviões com capacidade atômica. Em resposta, Trump despachará dois submarinos movidos a propulsão nuclear para a Rússia, elevando tensões.
