
No programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, a aprovação relâmpago de um pacote de criação de cargos públicos com impacto bilionário reacendeu o debate sobre responsabilidade fiscal e desconexão do Legislativo com a realidade econômica do país. Para o colunista Mauro Paulino, o episódio simboliza um problema maior: a dificuldade das instituições de recuperarem a confiança da sociedade justamente quando mais precisam dela (este texto é um resumo do vídeo acima).
A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados, cria 16.000 cargos no Ministério da Educação, outros 1.500 no Ministério da Gestão, além de instituir o Instituto Federal do Sertão Paraibano. O impacto estimado é de R$ 4,3 bilhões ainda neste ano, e o texto agora segue para análise do Senado.
Por que a Câmara acelerou a criação de cargos?
Segundo a própria justificativa apresentada em plenário, o pacote reúne projetos de interesse direto do governo federal: expansão de universidades e institutos federais, reestruturação de carreiras, reajustes salariais para diversas categorias do serviço público — incluindo servidores do Legislativo e do Tribunal de Contas da União.
Em gravação exibida no programa, o presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu a votação afirmando que, após o reajuste concedido ao Judiciário, seria “justo” estender aumentos a outras carreiras do funcionalismo.
O que chama atenção no momento da votação?
Para Marcela Rahal, o timing da decisão é o ponto mais sensível. Em um cenário de aperto fiscal e de cobranças por controle de gastos, o Congresso mostrou que, quando quer, consegue agir com rapidez — mas nem sempre na direção esperada pela sociedade.
A criação de um instituto federal justamente no estado do presidente da Câmara reforçou a percepção de descolamento da realidade e alimentou críticas de uso político da máquina pública em ano eleitoral.
Como isso afeta a imagem do Congresso?
Na avaliação de Mauro Paulino, o episódio aprofunda uma crise já conhecida. Pesquisas de opinião mostram que o Congresso enfrenta níveis elevados de desconfiança, e decisões como essa caminham no sentido oposto da recuperação de credibilidade.
“O Congresso tem a mesma necessidade que outras instituições de recuperar confiança, mas não se mobiliza para isso. Pelo contrário, notícia após notícia, a percepção é de autoproteção e autobenefício”, afirmou o colunista.
Por que isso pesa ainda mais em ano eleitoral?
Em períodos eleitorais, a cobrança por coerência entre discurso e prática se intensifica. Para Paulino, a aprovação de gastos bilionários enquanto o país discute ajuste fiscal envia uma mensagem ruim ao eleitor: a de que as instituições pedem sacrifícios, mas não os praticam.
O resultado é um círculo vicioso: mais descrédito, mais distanciamento da população e menos espaço para consensos políticos duradouros.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
