
O americano Ryan Routh foi condenado nesta quarta-feira, 4, à prisão perpétua pela tentativa de assassinato contra Donald Trump, que na época concorria à Presidência dos Estados Unidos, em um de seus campos de golfe na Flórida, em setembro de 2024.
Routh, de 59 anos, foi considerado culpado no ano passado por tentar matar o republicano, após passar horas à espreita no Trump International Golf Club, em Palm Beach. Um agente do Serviço Secreto que estava na área avistou o cano de um rifle saindo de um arbusto e atirou contra o homem, que fugiu do local em um veículo. Pouco depois, ele foi preso nas proximidades do clube.
Em documentos judiciais apresentados antes da sentença, os promotores afirmaram que Routh permanece “totalmente sem arrependimento” e que a “natureza hedionda” de seu crime justifica uma “punição severa”. O réu, que havia se declarado inocente, dispensou advogado e optou por representar a si próprio durante o julgamento, que começou em 8 de setembro.
Comportamento errático
Natural da Carolina do Norte e residente no Havaí antes de sua prisão, Routh chamou atenção pelo comportamento errático durante o processo judicial, que incluiu um incidente em que desafiou Trump para uma partida de golfe e outro em que fez referências a Adolf Hitler e ao presidente russo, Vladimir Putin. Após ser considerado culpado pelo júri, ele tentou mutilar-se no pescoço com uma caneta antes de ser rapidamente escoltado para fora do tribunal por agentes federais.
Embora não se acredite que Routh tivesse tido uma visão clara de Trump para atirar durante o incidente, agentes federais disseram ao júri que posteriormente recuperaram um rifle semiautomático com mira telescópica e um carregador estendido no local onde ele estava escondido. Além disso, os jurados foram informados de que o réu deixou uma lista de locais onde o republicano poderia aparecer, bem como um bilhete para um amigo que descrevia seu plano como “uma tentativa de assassinato”.
O promotor principal do caso, John Shipley, disse que uma “montanha de evidências” foi apresentada, indicando “o quão perto o acusado chegou de realmente concretizar seu plano”.
Motivações mirabolantes
Em sua declaração final durante o julgamento, Routh falou sempre na terceira pessoa e abordou uma ampla gama de tópicos não relacionados ao caso, incluindo a história dos Estados Unidos, a guerra entre Rússia e Ucrânia e sua intenção de comprar um barco – o que levou o juiz a interrompê-lo repetidamente e dispensar o júri.
Na época do ataque, postagens antigas mostraram que ele já depositara seu voto em Trump, em 2016 e 2020, e andava às voltas com um mirabolante plano para pôr fim à guerra na Ucrânia que incluía o recrutamento de soldados afegãos, tudo detalhado em um livro que publicou nas redes ao viajar a Kiev como voluntário para lutar contra a Rússia. Uma hipótese levantada como motivação para o atentado seria o desprezo de Trump pela causa ucraniana, mas não chegou-se a uma conclusão clara.
O incidente na Flórida foi a segunda tentativa de assassinato de Trump em 2024, após um atirador abrir fogo contra ele em um comício de campanha em Butler, Pensilvânia, dois meses antes. Aquele ataque a tiros deixou uma pessoa morta e várias feridas, incluindo o próprio Trump, e o atirador, posteriormente identificado como Thomas Crooks, de 20 anos, foi morto por policiais no local.
