
A construção civil segue como um dos pilares da economia brasileira, impulsionando o crescimento, a geração de empregos e o desenvolvimento urbano em diferentes regiões do país. Nos últimos anos, o setor tem apresentado desempenho acima da média da economia nacional, especialmente no segmento de obras residenciais, acompanhado pela alta acumulada do Índice Nacional da Construção Civil (INCC). No entanto, apesar do cenário de expansão, desafios históricos continuam limitando o pleno potencial do setor.
Para Cláudio De Souza Cruz, empreendedor da construção civil com 14 anos de experiência consolidada, o crescimento do mercado é inegável, mas exige uma análise cuidadosa das dificuldades enfrentadas no dia a dia das obras. Atuando desde pequenos projetos até empreendimentos de maior porte, como casas, condomínios e prédios, ele construiu uma trajetória marcada pela evolução profissional e pelo compromisso com a qualidade técnica.
“A construção civil cresce, mas cresce enfrentando gargalos sérios, principalmente a falta de mão de obra qualificada e a burocracia excessiva, que acabam encarecendo e atrasando os projetos”, afirma Cláudio.
Segundo dados do setor, cerca de 82% dos contratantes relatam dificuldades em encontrar profissionais capacitados, o que impacta diretamente os custos e a qualidade das obras. Na visão de Cláudio, esse problema não é pontual, mas estrutural. “Hoje, o déficit de mão de obra qualificada afeta desde o cronograma até o acabamento final. Investir em capacitação profissional deveria ser prioridade”, destaca.
Outro ponto crítico é o déficit habitacional brasileiro, que segue elevado e evidencia a necessidade de políticas públicas mais efetivas. Além disso, a infraestrutura deficiente do país, com estradas em más condições, malha ferroviária limitada e portos que demandam modernização, também representa um entrave para o avanço do setor. “Sem infraestrutura adequada, o custo logístico aumenta e o investimento perde atratividade, o que impacta toda a cadeia da construção”, observa.
Ao longo de sua carreira, Cláudio De Souza Cruz passou de trabalhador autônomo a gestor de sua própria empresa, chegando a administrar uma equipe com cerca de 40 colaboradores. Nesse percurso, foi responsável por gerar empregos, fortalecer a economia local e entregar projetos de maior complexidade, sempre com foco em estruturas duráveis e acabamentos de alta qualidade.
A burocracia e a imprevisibilidade econômica também figuram entre os principais desafios. “A complexidade tributária e a instabilidade do cenário econômico dificultam o planejamento de longo prazo e travam o crescimento de muitas empresas do setor”, pontua.
Além disso, questões relacionadas à sustentabilidade e ao cumprimento de normas técnicas exigem atenção constante. Para Cláudio, a aplicação de técnicas modernas de planejamento físico e financeiro é essencial para garantir eficiência, controle de custos e cumprimento de prazos. “Planejamento detalhado e gestão responsável são fundamentais para entregar obras de qualidade e manter a confiança dos clientes”, conclui.
Em um momento de expansão, a construção civil brasileira segue diante de barreiras estruturais que exigem ações coordenadas entre iniciativa privada e poder público. Para profissionais experientes como Cláudio De Souza Cruz, o caminho passa por investimentos contínuos, qualificação profissional e um ambiente regulatório mais previsível, capaz de impulsionar o setor e melhorar a qualidade de vida da população
