
Pesquisadores franceses e canadenses, com o uso de uma tecnologia de imagem inovadora aplicada pela primeira vez em paredes completas, conseguiram decifrar grafites quase apagados em um corredor de Pompeia. Essas inscrições revelaram declarações de amor, insultos com conotação sexual e desenhos elaborados feitos por pessoas que frequentavam o local antes da erupção do Vesúvio.
O corredor, descoberto no século XVIII, possui 27 metros de comprimento, três de largura e oito de altura. As paredes internas eram revestidas por uma camada de pintura comum na época romana. Por cima desse revestimento, indivíduos há quase dois mil anos atrás riscaram mensagens e desenhos usando objetos pontiagudos, muitos dos quais se tornaram quase ilegíveis devido ao desgaste ao longo do tempo.
O conteúdo dos grafites
Entre os grafites recuperados, uma frase incompleta foi identificada, dizendo “Erato ama…”, cuja continuação foi perdida quando parte do revestimento se soltou. Além disso, foram encontrados insultos escritos com linguagem sexual, bem como uma variedade de desenhos elaborados, como a representação de dois gladiadores em combate.
Análises sugerem que várias pessoas passaram pelo local e deixaram suas marcas, incluindo soldados e frequentadores da área. Ao todo, 79 novas inscrições, nunca antes catalogadas, foram adicionadas ao inventário de grafites conhecido desde o século XIX.
Como foi possível decifrar os grafites apagados?
Para visualizar os grafites, a equipe utilizou uma técnica chamada Reflectance Transformation Imaging (RTI), um método fotográfico que registra a superfície em duas dimensões, mas com variações controladas de luz que destacam relevos mínimos.
Essa técnica revela pequenas marcas na parede que não seriam perceptíveis a olho nu. Embora já tenha sido utilizada para analisar obras de arte, essa foi a primeira vez que foi aplicada em grande escala em superfícies arquitetônicas.
Durante cinco noites, os pesquisadores capturaram cerca de 15 mil imagens das duas paredes do corredor, utilizando equipamentos com múltiplas fontes de luz.
De acordo com os pesquisadores, essas inscrições ajudam a compreender aspectos da cultura popular de Pompeia, que não são evidentes em monumentos oficiais ou textos formais. Elas representam registros diretos do que pessoas comuns da cidade escreviam e desenhavam nas paredes.
O projeto denominado “Bruits de couloir” (“Rumores de corredor”) digitalizará todo o material e o disponibilizará em uma plataforma online que será aberta ao público nas próximas semanas.
