
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, prestou depoimento nesta quarta-feira, 10, perante a Comissão Judiciária da Câmara dos Deputados para falar sobre o caso Jeffrey Epstein. A divulgação de um “lote final” de documentos em janeiro gerou pressão tanto de republicanos quanto de democratas sobre o Departamento de Justiça. Os arquivos divulgados de forma desorganizada expuseram informações pessoais de vítimas do criminoso sexual, como nomes, fotos e dados.
Durante a audiência, Bondi expressou seu pesar pelo sofrimento causado às vítimas de Epstein e sua rede de contatos influentes em vários países. Apesar disso, ela não pediu desculpas pelos erros cometidos por seu departamento. Bondi explicou que, devido ao grande volume de documentos a serem analisados em um curto período, as peças com informações sensíveis foram removidas após a identificação do problema.
O Departamento de Justiça liberou mais de 3 milhões de páginas de arquivos de investigação sobre Epstein em 30 de janeiro, incluindo fotos e vídeos, após atrasos decorrentes de pressões do presidente Donald Trump. A publicação dos documentos destacou indivíduos influentes que mantiveram laços com Epstein mesmo após sua condenação, porém provocou controvérsias pela ausência de certos arquivos solicitados e pela exposição de dados pessoais das vítimas.
Durante a audiência, Bondi se comprometeu a desocultar os nomes de homens que tiveram alguma ligação com Epstein e proteger as vítimas. A Comissão Judiciária tem demonstrado frustração com a retenção de material pelo Departamento de Justiça, alegando desrespeito a uma lei federal aprovada recentemente para garantir a liberação de todos os arquivos. Os congressistas afirmam que o departamento excedeu as isenções permitidas pela legislação em suas omissões.
O caso Epstein tem sido motivo de constrangimento para a administração Trump, e Bondi tem enfrentado críticas pelo gerenciamento do caso. Documentos de destaque não conduziram a processos judiciais nos EUA, o que aumentou as críticas de ativistas, vítimas e políticos de ambos os partidos em relação ao Departamento de Justiça. Há teorias de acobertamento em virtude das conclusões das autoridades, que consideraram apenas Epstein e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell, como culpados.
A reação global aos documentos revelou renúncias em vários países. No Reino Unido, a relação profunda entre o ex-embaixador Peter Mandelson e Epstein levou a uma crise no governo, resultando em renúncias de figuras importantes. O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor também enfrentou repercussões por sua conexão com o pedófilo, culminando em sua expulsão de Windsor.
