sexta-feira, fevereiro 20

Flávio e Lula têm seus limites: pesquisa revela obstáculos no primeiro turno

A rodada mais recente de pesquisas do instituto AtlasIntel, debatida no programa Ponto de Vista desta quarta, 18, expõe o retrato mais delicado da disputa presidencial até agora: estabilidade com tensão embutida. No cenário sem o governador paulista Tarcísio de Freitas, Lula aparece com 48,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro marca 35%. Os demais nomes orbitam abaixo dos 5% (este texto é um resumo do vídeo acima).

Os números indicam liderança folgada do petista — mas não suficiente para dissipar o risco de segundo turno. E apontam também para uma barreira estrutural ao crescimento do senador.

Flávio já bateu no teto?

Para Yuri Sanches, da AtlasIntel, o filho de Jair Bolsonaro está próximo do limite possível neste momento.

“Eu diria que ele está próximo de um teto. Não cravaria que 35% é o teto absoluto, mas diria que está abaixo de 40%”, afirmou.

O principal freio é a rejeição. Segundo o pesquisador, a taxa atribuída a Flávio é “bastante parelha com a de Lula e com a do próprio Jair Bolsonaro”. Ou seja: a força do sobrenome ajuda a transferir votos, mas também transfere resistência.

A eleição, diz Yuri, tende a ser marcada por rejeições cruzadas. No primeiro turno, o eleitor descontente com Lula ou com Flávio deve buscar alternativas. Esse movimento limita o crescimento dos dois polos.

Lula pode liquidar no primeiro turno?

Embora Lula apareça com quase 49%, o cenário não é de tranquilidade.

A lógica da rejeição também o alcança. “Isso faz com que haja limitação não apenas para o teto de Flávio Bolsonaro, mas também para um teto do presidente Lula numa eventual pretensão de liquidar a fatura no primeiro turno”, explicou Yuri.

Na prática, o petista lidera, mas enfrenta uma barreira psicológica e política para ultrapassar com folga a maioria absoluta.

O dado reforça o que Mauro Paulino já vinha observando: a eleição caminha para um confronto acirrado e emocionalmente polarizado.

A terceira via ainda pode interferir?

A definição do PSD — que pode lançar Ratinho Júnior, Eduardo Leite ou Ronaldo Caiado — é vista como variável relevante.

Yuri aponta que uma candidatura competitiva de centro-direita pode impedir tanto Lula de vencer no primeiro turno quanto Flávio de romper o teto.

O primeiro turno, nesse cenário, se torna um campo de contenção: limita o crescimento dos polos e empurra a decisão para a etapa final.

Bolsonaro manterá o comando da direita?

Durante o programa, a apresentadora Marcela Rahal citou uma fala do vice-presidente do PT, Washington Quaquá: segundo ele, se Jair Bolsonaro optasse por apoiar um nome como Tarcísio, e não alguém da família, “o legado morreria no dia seguinte da eleição”.

Mauro Paulino concordou com a leitura.

“A partir do momento em que Tarcísio fosse eleito, ele passaria a ser o líder da direita no país. Não há dúvida quanto a isso”, afirmou.

Para o analista, a escolha por Flávio não é apenas eleitoral — é estratégica. Trata-se de manter o comando do campo conservador dentro do clã, mesmo que isso aumente o risco de derrota.

Um jogo de limites

O quadro que se desenha é de estabilidade com tensão acumulada: Lula lidera, mas encontra um teto para encerrar a disputa cedo; Flávio cresce, mas esbarra na rejeição herdada; o centro pode travar ambos.

A eleição de 2026 começa a ganhar contornos menos de arrancada e mais de resistência. Não se trata apenas de quem cresce — mas de quem consegue romper o próprio limite.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.