
A corrida presidencial segue marcada por dois polos consolidados — Lula e o bolsonarismo —, mas o xadrez eleitoral ainda está longe de fechado. Em participação no programa Ponto de Vista, Yuri Sanches, da AtlasIntel, falou sobre os cenários mais recentes (este texto é um resumo do vídeo acima).
O diagnóstico é claro: Flávio Bolsonaro aparece mais competitivo que Tarcísio de Freitas no momento, mas o jogo está aberto — e abril pode ser decisivo.
Tarcísio ainda é carta fora do baralho?
Em tese, sim. Na prática, não.
A apresentadora Marcela Rahal lembrou a frase recorrente de Gilberto Kassab: na política, “nunca” é palavra proibida. Yuri reforçou que o cenário é “bastante incerto” e “volátil”, com articulações simultâneas em curso.
Segundo ele, mesmo em cenário hipotético, Tarcísio preserva um “estoque” de 10% a 11% das intenções de voto. Pode parecer pouco, mas representa um ativo estratégico — especialmente em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
Essa base, inclusive, fortalece as pretensões de Flávio Bolsonaro no estado.
O PSD pode quebrar a polarização?
O PSD tenta construir uma alternativa de centro-direita fora do bolsonarismo, agora com três governadores no páreo: Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.
Para Yuri, o partido busca explorar um espaço real no eleitorado. “Existe esse espaço que o PSD está tentando construir para uma alternativa alijada do bolsonarismo”, afirmou.
Mas há um obstáculo histórico.
A terceira via já não tentou antes?
Tentou — e falhou.
O comentarista Mauro Paulino lembrou que tanto em 2018 quanto em 2022 houve um desejo declarado do eleitor por uma alternativa à polarização. Nas pesquisas, esse anseio aparece com força. Mas, na prática, ele não se converte em voto decisivo.
“O antipetismo e o antibolsonarismo acabam provocando medo num terço da população que é mais neutra”, explicou Paulino. “Ao final, acabam optando por uma opção bolsonarista ou lulista.”
Esse “terço do meio”, tradicionalmente decisivo, tende a migrar para um dos polos quando o segundo turno se aproxima.
Flávio tem mais fôlego que Tarcísio?
No momento, sim.
A consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro aparece mais robusta que qualquer hipótese envolvendo Tarcísio. A transferência de votos do pai para o filho continua sendo um diferencial competitivo.
Mas o colunista pondera: ainda é cedo.
“A gente tem que esperar o desenrolar da campanha para ver se neste ano haverá uma força maior desse centro”, afirmou Paulino.
O tabuleiro está montado?
Ainda não.
Há conversas do presidente Lula com partidos como União Brasil e PP em busca de neutralidade ou apoio regional. Do outro lado, o PSD tenta viabilizar um nome próprio até abril.
O cenário é de construção simultânea de palanques estaduais e negociações cruzadas.
Por enquanto, o que existe é uma liderança consolidada de Lula nas pesquisas e um bolsonarismo competitivo com Flávio.
O resto ainda é hipótese — mas hipótese com prazo de validade.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
