
Trabalhadores do setor marítimo argentino iniciaram nesta quarta-feira uma paralisação de dois dias que compromete a movimentação de navios de carga em alguns dos principais portos do país.
O movimento é liderado pela federação FESIMAF e tem como alvo o projeto de reforma trabalhista patrocinado pelo presidente Javier Milei.
A interrupção atinge serviços essenciais à navegação comercial, como embarque e desembarque de mercadorias, transferência de práticos e apoio logístico a embarcações.
Fontes do setor portuário afirmam que os impactos já são sentidos sobretudo na região de Rosário, um dos maiores corredores globais de exportação de grãos e derivados.
Guillermo Wade, dirigente da Câmara de Atividades Portuárias e Marítimas, declarou que a mobilização começou a afetar a rotina operacional.
Segundo ele, navios seguem sendo carregados, mas tendem a suspender o processo antes de atingir o calado necessário para zarpar, o que pode gerar atrasos em cadeia.
Pressão sindical em meio à votação no Congresso
A greve ocorre na véspera da análise do projeto pela Câmara dos Deputados. O texto já recebeu sinal verde do Senado na semana passada e integra o pacote de reformas estruturais com o qual o governo pretende flexibilizar regras trabalhistas e reduzir custos para empresas.
A federação FESIMAF afirmou, em comunicado, que o objetivo é “proteger direitos e preservar a estabilidade no emprego”. A iniciativa soma-se à convocação de uma paralisação nacional anunciada pela central sindical CGT para o mesmo período, ampliando a pressão sobre o Congresso.
Sindicatos argumentam que a proposta enfraquece garantias consolidadas ao longo de décadas, ao reduzir indenizações por demissão, ampliar jornadas e restringir mecanismos de greve. Já o governo sustenta que as mudanças são necessárias para modernizar o mercado de trabalho e estimular a formalização em um país que enfrenta baixo crescimento e inflação persistente.
Impacto econômico e cenário mais amplo
A Argentina ocupa posição estratégica no comércio agrícola internacional, especialmente na exportação de soja, milho e farelo.
Interrupções prolongadas nos terminais portuários podem afetar fluxos de embarque e comprometer contratos externos, segundo analistas do setor ouvidos pela imprensa local.
O embate entre o Executivo e o movimento sindical ocorre em um contexto de ajuste fiscal rigoroso e tentativa de reequilíbrio das contas públicas.
Desde o início do mandato, Milei tem defendido reformas pró-mercado como condição para restaurar a confiança de investidores e conter a crise econômica.
Para centrais trabalhistas, contudo, a agenda do governo representa risco de precarização e perda de poder de negociação coletiva. A paralisação dos marítimos é mais um capítulo de uma disputa que tende a se intensificar à medida que o Congresso avança na tramitação da reforma.
Com o debate marcado para esta quinta-feira, o desfecho legislativo poderá redefinir não apenas as regras do mercado de trabalho argentino, mas também o grau de mobilização social diante das mudanças propostas pelo governo.
