sábado, fevereiro 21

Rubio se reúne secretamente com descendente de Raúl Castro para discutir destino de Cuba, afirma portal

O secretário de Estado americano Marco Rubio, tem mantido conversas privadas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro, fora dos canais oficiais entre Washington e Havana, segundo reportagem publicada pelo portal americano Axios nesta quarta-feira, 18, citando fontes com conhecimento das discussões.

Segundo um funcionário do alto escalão do governo americano ouvido pelo veículo, o contato entre Rubio e Castro tem como objetivo debater o futuro político e econômico de Cuba.

Questionado sobre a interação entre Rubio e Castro, o governo de Cuba enviou ao Axios uma declaração afirmando que não há diálogo entre o governo dos EUA e Cuba, esclarecendo houve apenas trocas de mensagens.

Raúl Castro, que sucedeu seu irmão Fidel Castro no comando do país e liderou a ilha entre 2008 e 2018, é visto pelos Estados Unidos como uma figura central na estrutura de poder cubana, mesmo após deixar o cargo de presidente.

Crise energética e humanitária

As conversas ocorrem em meio a uma grave crise energética e humanitária em Cuba, agravada pela interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano desde que forças americanas capturaram Nicolás Maduro em 3 de janeiro.

Desde então, a ilha tem registrado apagões prolongados e longas filas por combustível, enquanto o governo de Donald Trump ameaça aplicar tarifas a países que forneçam combustível ao regime cubano, classificado pela Casa Branca como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional americana. Nas últimas semanas, Trump voltou a atacar Havana, classificando o país como uma “nação falida”.

Apesar das ameaças, dois navios mexicanos foram enviados a Havana com mais de 800 toneladas de ajuda humanitária, e o governo da Espanha também anunciou o envio de alimentos e medicamentos.

No início do mês, a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou sobre a rápida deterioração da situação em Cuba. O secretário-geral da entidade, António Guterres, advertiu para o risco de um “colapso humanitário” caso o país não consiga importar petróleo suficiente para atender às necessidades básicas da população.