quinta-feira, fevereiro 26

ALMA captura imagem inédita do coração da Via Láctea, revelando detalhes surpreendentes

Uma imagem inédita do centro da Via Láctea, obtida pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), mostra em detalhes a principal região de gás frio da galáxia. Os resultados, publicados em 25 de fevereiro de 2026 na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, representam a maior imagem já produzida pelo ALMA e a primeira observação em alta resolução de todo o gás frio da área conhecida como Zona Molecular Central (CMZ).

O que foi feito e onde

A CMZ, com aproximadamente 650 anos-luz de diâmetro, concentra grandes quantidades de gás e poeira ao redor do buraco negro supermassivo Sagittarius A*, no núcleo galáctico. O ALMA, a maior rede de radiotelescópios em operação, localizada no Chile, foi responsável pelo mapeamento que permitiu atravessar a espessa poeira que impede observações em luz visível, usando ondas de rádio para revelar a estrutura interna da região.

Como e por que

O mapeamento, parte do projeto ACES, identificou uma rede complexa de filamentos de gás denso e frio. Em trechos desses filamentos, o material se acumula e entra em colapso, formando aglomerados que podem originar novas estrelas. A observação de toda a massa fria da CMZ em alta resolução possibilitou detectar dezenas de moléculas, incluindo compostos orgânicos como metanol e etanol, além de substâncias simples como o monóxido de silício.

Segundo Ashley Barnes, astrônoma do Observatório Europeu do Sul (ESO), a CMZ é a única região central de galáxia próxima o suficiente para ser estudada com esse nível de detalhe. Barnes destacou que, embora a poeira bloqueie a luz visível, as ondas de rádio captadas pelo ALMA conseguem penetrar essa barreira e revelar a composição e a estrutura do gás.

Implicações científicas

Pesquisadores envolvidos no estudo, incluindo Steve Longmore, da Universidade John Moores de Liverpool, afirmam que a CMZ abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas na Via Láctea. Essas estrelas têm vidas curtas e frequentemente terminam em explosões violentas, como supernovas e hipernovas. A análise do ambiente químico e dinâmico da região contribui para compreender processos de formação estelar e a evolução das galáxias.

O conjunto de observações do ALMA sobre a Zona Molecular Central fornece um mapa detalhado do gás frio e da sua composição, oferecendo dados fundamentais para estudos futuros sobre nascimento estelar e evolução galáctica.

Com informações de Olhardigital

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