quarta-feira, fevereiro 25

Claudia Sheinbaum e Trump discutem estratégias após morte de líder do tráfico

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, revelou em comunicado nesta quarta-feira (25) que teve uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dia após a realização de uma operação militar que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG).

De acordo com Sheinbaum, a ligação ocorreu na segunda-feira e teve uma duração aproximada de oito minutos. A presidente disse aos jornalistas na Cidade do México que Trump quis saber mais sobre a situação no México e como estavam as coisas no país.

No domingo, a Casa Branca confirmou que os Estados Unidos ofereceram suporte de inteligência às autoridades mexicanas durante a ofensiva que resultou na morte de Oseguera Cervantes, considerado um dos narcotraficantes mais procurados do mundo.

Um golpe histórico contra o CJNG

A morte de “El Mencho” representa um marco na luta contra o narcotráfico no México. O CJNG é apontado por autoridades americanas e mexicanas como uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do continente, envolvida diretamente no tráfico de fentanil para os Estados Unidos e atuando em vários países.

Relatórios anteriores da Drug Enforcement Administration (DEA) já apontavam o CJNG como crucial na crise de opioides que afeta cidades americanas. A cooperação entre os Estados Unidos e o México, embora antiga, tem enfrentado tensões diplomáticas e divergências sobre soberania e estratégia de segurança.

No governo anterior do México, houve discordâncias após operações unilaterais dos Estados Unidos e críticas públicas sobre a eficácia no combate aos cartéis.

A confirmação do compartilhamento de inteligência nesta operação indica uma possível mudança nessa relação sob o governo de Sheinbaum.

Cooperação sob pressão política

A ligação entre Sheinbaum e Trump ocorre em um momento delicado para ambos os governos.

Nos Estados Unidos, a luta contra o tráfico de fentanil tem sido um tema central no debate político e eleitoral.

Trump tem defendido publicamente ações mais firmes contra os cartéis mexicanos, inclusive considerando-os organizações terroristas em declarações anteriores.

No México, qualquer interferência estrangeira costuma gerar reações políticas. A Constituição mexicana restringe a atuação de agentes estrangeiros em território nacional, e o governo enfatiza que as operações são conduzidas pelas forças locais, mesmo que com cooperação técnica.

Ao confirmar o suporte de inteligência, a Casa Branca não entrou em detalhes sobre a extensão do envolvimento dos Estados Unidos. Especialistas em segurança consultados por veículos como The Washington Post e Reuters apontam que o compartilhamento de informações de satélite, interceptações e monitoramento financeiro é comum em operações de alto valor estratégico.

Impacto regional

A eliminação de Oseguera Cervantes pode gerar mudanças internas no CJNG e aumentar os conflitos entre facções rivais, segundo analistas. Historicamente, a morte ou prisão de líderes do narcotráfico no México levou a períodos de fragmentação e aumento temporário da violência.

Mesmo assim, Sheinbaum apresentou a operação como uma demonstração da capacidade do Estado mexicano.

A presidente tem defendido uma estratégia que combina inteligência, ações cirúrgicas e programas sociais, em contraste com políticas anteriores marcadas por conflitos abertos entre as Forças Armadas e os cartéis.

Relação bilateral em novo momento

O telefonema de oito minutos pode parecer protocolar, mas tem significado político.

Ao buscar informações diretamente com Sheinbaum, Trump mostra interesse direto na segurança mexicana, um tema que afeta a imigração, o comércio e a saúde pública nos EUA.

A recente cooperação sugere uma abordagem mais pragmática na relação bilateral. Ainda assim, o desafio persiste: reduzir o fluxo de drogas sintéticas para o norte sem comprometer a estabilidade interna do México.