quarta-feira, fevereiro 25

Estudo recente indica que mudanças nos polos magnéticos da Terra podem não estar totalmente documentadas

Um estudo publicado recentemente revela que o registro geológico das inversões dos polos magnéticos da Terra pode não estar completo. Segundo a análise, diversas trocas de polaridade entre o norte e o sul magnéticos podem não ter sido identificadas nas cronologias existentes, o que sugere um número maior de inversões ao longo do tempo geológico.

A pesquisa utilizou uma técnica estatística chamada estimativa adaptativa de densidade de kernel (AKDE) para identificar padrões que passaram despercebidos em abordagens convencionais. Os pesquisadores aplicaram esse método a séries temporais de inversões magnéticas com o intuito de destacar possíveis lacunas nos registros já existentes.

O que se sabe sobre as inversões magnéticas

Desde a sua formação, a Terra já passou por várias inversões do campo magnético, alterando a posição dos polos norte e sul magnéticos. Essas mudanças não ocorrem em intervalos regulares: por exemplo, no final do Jurássico, as inversões aconteciam aproximadamente a cada 100 mil anos, enquanto em outros períodos eram menos frequentes.

Em certos momentos da história geológica, as inversões quase desaparecem dos registros. Um exemplo é o Supercrono Normal do Cretáceo, um período de cerca de 37 milhões de anos sem inversões identificadas, quando o campo magnético permaneceu com uma polaridade estável por um tempo excepcionalmente longo.

Evidências e limitações do registro das inversões magnéticas

As principais evidências das inversões provêm de rochas vulcânicas ricas em ferro, onde minerais magnéticos registram a orientação do campo magnético no momento do resfriamento. Em regiões como as dorsais meso-oceânicas, esse processo cria faixas alternadas de polaridade, conhecidas como “listras de zebra”. No entanto, a interpretação dessas faixas nem sempre é direta, e parte da crosta oceânica antiga foi alterada ou destruída, o que limita a quantidade de dados disponíveis.

Pesquisas anteriores já haviam identificado inversões localizadas que não estavam presentes nos registros globais, como o caso de basaltos na Etiópia com aproximadamente 30 milhões de anos. O novo estudo sugere que períodos com poucas inversões aparentes podem refletir lacunas nos registros e não uma estabilidade real do campo magnético.

Implicações e futuras investigações

Os pesquisadores argumentam que as inversões podem estar ligadas ao fluxo de calor na fronteira entre o núcleo e o manto terrestre. Embora os resultados sejam preliminares, os autores indicam possíveis direções para pesquisas futuras a fim de reconstruir de maneira mais precisa a história magnética do planeta.

Além de auxiliar na compreensão dos processos internos da Terra, as inversões magnéticas são úteis para datar eventos geológicos, como movimentos das placas tectônicas e ocorrências de fósseis. Uma eventual mudança no campo magnético também poderia impactar tecnologias dependentes de satélites e sistemas de navegação, embora não haja evidências sólidas de uma conexão entre inversões e extinções em massa.

Com informações de Olhardigital

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