
Quatro anos após a invasão da Rússia ao território ucraniano, o número de mortos na guerra pode ultrapassar a marca de 500 mil combatentes ainda neste ano, segundo estimativas de centros de pesquisa e veículos independentes.
O site independente russo Mediazona e a emissora britânica BBC divulgaram nesta terça-feira, 24, uma atualização da contagem de soldados russos mortos durante o conflito.
Com base em nomes verificados em obituários, registros de cemitérios, publicações de familiares em redes sociais e dados oficiais, eles confirmaram 200.186 mortes.
Segundo o levantamento, quase 27 mil cidades e vilarejos russos enviaram soldados que acabaram mortos na Ucrânia. Os veículos ressaltam, no entanto, que o número representa uma quantidade mínima de mortes e que o total pode ser muito maior.
O Center for Strategic and International Studies (CSIS), com sede em Washington, estima que até 325 mil russos morreram entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025. Considerando também feridos e desaparecidos, o total de baixas russas pode alcançar até 1,2 milhão de militares.
Apesar do presidente russo Vladimir Putin destacar avanços militares no campo de batalha, estima-se que as perdas russas estão entre as mais elevadas sofridas por uma grande potência desde a Segunda Guerra Mundial.
“Nenhuma grande potência sofreu nem perto desse número de baixas desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou Seth Jones, coautor do estudo do CSIS, classificando os dados como surpreendentes.
Do lado ucraniano, as estimativas também indicam números elevados.
O CSIS calcula que entre 500 mil e 600 mil militares da Ucrânia tenham sido mortos, feridos ou estejam desaparecidos desde o início da guerra, sendo entre 100 mil e 140 mil o número de mortos.
A cifra é maior do que os dados oficiais divulgados pelo governo de Volodymyr Zelensky, que afirmou no início deste mês que 55.000 soldados ucranianos morreram na guerra.
O total exato de mortos é mantido em sigilo tanto por Moscou quanto por Kiev, que evitam divulgar números que possam indicar fraqueza.
Negociações
Os números foram divulgados às vésperas de uma reunião entre negociadores ucranianos e autoridades norte-americanas, marcada para esta quinta-feira, 26, em Genebra.
No encontro, eles discutirão os preparativos para uma próxima reunião trilateral com a Rússia, segundo Zelensky.
Negociadores ucranianos e russos já se reuniram três vezes neste ano em encontros mediados pelos EUA, mas não conseguiram chegar a nenhum avanço em pontos-chave para um possível acordo.
As perspectivas de avanços concretos para a reunião de quinta-feira seguem limitadas, diante das exigências territoriais maximalistas apresentadas por Moscou. Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais fortes dos ucranianos. Eles ainda ocupam cerca de 17% da área.
A Ucrânia, por sua vez, defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo. Kiev também quer o controle de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que foi tomada pelos russos no início do conflito.
A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas. Analistas dizem que as foras russas ganharam cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.
Crise econômica
A economia da Ucrânia também está atravessando seu momento mais difícil desde o primeiro ano da invasão russa devido aos ataques contra o sistema de energia no país.
O índice mensal de recuperação da atividade empresarial do Instituto de Pesquisa Econômica em Kiev, que compara o número de empresas que relatam se seus negócios estão piores ou melhores do que no ano anterior, ficou negativo em fevereiro pela primeira vez desde 2023.
A situação no país se agravou após a Hungria manter nesta segunda-feira seu veto a um empréstimo de 90 bilhões de euros da União Europeia destinado a apoiar Kiev.
A reconstrução da economia e da infraestrutura da Ucrânia, caso a guerra acabasse agora, custaria US$ 588 bilhões (R$ 3 trilhões) em dez anos, segundo uma estimativa divulgada pelo Banco Mundial, em um estudo feito em conjunto com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano.
