
Um levantamento realizado por um veículo de comunicação revelou que 61 milhões de reais foram direcionados por deputados e senadores por meio de emendas de transferência especial, conhecidas como emendas Pix, para financiar shows em todo o Brasil. Esse valor seria suficiente para pagar cerca de 40 apresentações de Roberto Carlos, um dos artistas com cachê mais alto do país.
Segundo informações obtidas, o cantor recebe em média 1,5 milhão de reais por um show privado no eixo Rio-São Paulo, podendo esse valor aumentar dependendo da data e localidade. Apesar disso, Roberto Carlos não está na lista de artistas que se apresentaram em eventos bancados por emendas parlamentares em 2025. Ele realizou apresentações públicas, como em Salvador em dezembro, com o pagamento sendo realizado por patrocinadores privados.
Um especialista em negociação de shows explicou que os cachês dos artistas têm valores pré-estabelecidos, mas também há margem para negociação. Shows financiados por prefeituras tendem a ser mais caros, devido à estrutura e profissionais necessários para a realização do evento. O pagamento costuma ser efetuado posteriormente, até 60 dias após a apresentação, o que contribui para o valor mais elevado.
No decorrer do ano de 2025, parlamentares destinaram 131 emendas Pix para custear shows em diversas regiões do país, incluindo artistas de renome regional e nacional, como Wesley Safadão, Leonardo, Bell Marques, Amado Batista e Mikael Santos. Em um caso específico, Safadão recebeu 900.000 reais para se apresentar em Malhador, uma cidade em Sergipe, com todo o financiamento vindo de emenda parlamentar.
A falta de transparência nos repasses dificulta a obtenção de informações precisas sobre os valores e os artistas beneficiados. Meses após os eventos, ainda há casos de falta de prestação de contas. Apesar da licitude do investimento, surgem questionamentos sobre a utilidade e qualidade desse gasto público. O alto volume de recursos disponíveis para os parlamentares movimentarem sem vínculos claros com o destino final da verba levanta preocupações sobre o uso dessas emendas como estratégia eleitoral, em vez de uma política pública efetiva.
