Um ataque israelense destruiu um prédio de 15 andares no coração de Beirute na madrugada desta quarta-feira, 18, em meio ao conflito entre Israel e a milícia libanesa Hezbollah, aliada do Irã, uma das múltiplas frentes da guerra no Oriente Médio. O local do último bombardeio, porém, é considerado distante dos principais redutos do grupo xiita armado, segundo especialistas.
Até o momento, não há relatos de mortos pelo míssil que atingiu o edifício próximo a lojas e hotéis no centro da capital do Líbano às 5h00 locais (meia-noite em Brasília). Uma hora antes, o Exército israelense havia emitido um alerta para que o prédio e seus arredores fossem esvaziados. “A todos os presentes no prédio marcado em vermelho no mapa anexo e nos prédios adjacentes: vocês estão localizados perto de uma instalação pertencente ao grupo terrorista Hezbollah, que será alvo das Forças de Defesa de Israel”, disse o comunicado.
O edifício no bairro de Bashoura já havia sido alvo de vários ataques nos últimos dias, mas agora foi completamente demolido e reduzido a escombros. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um míssil atingindo a base da construção que, em seguida, colapsa. De acordo com a emissora britânica BBC, que enviou uma equipe de jornalistas ao local, área foi tomada por uma nuvem de fumaça, com destroços espalhados pela rua e um cheiro de queimado no ar.
Socorristas foram deslocados para o local, embora se acredite que os avisos prévios de Israel tenham levado muitos moradores a deixar o edifício antes do ataque.
Diversos outros bombardeios atingiram a capital e os subúrbios libaneses durante a madrugada, incluindo os bairros de Zuqaq al Blat e Basta. Nestes casos, não houve nenhum aviso prévio, o que levou à morte de 12 pessoas e deixou 17 feridos, segundo autoridades locais.
Conflito no Líbano
A escalada dos combates no Líbano teve início em 2 de março, quando o Hezbollah disparou foguetes contra território israelense em retaliação à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante a ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel.
Desde então, as forças de Tel Aiv intensificaram os ataques contra posições do grupo armado libanês apoiado pelo Irã. Na terça-feira 17, o Exército israelense anunciou uma nova onda de ataques “contra a infraestrutura terrorista do Hezbollah em Beirute”.
Segundo o governo libanês, a violência já ceifou cerca de 912 vidas no país, incluindo 111 crianças. Mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, principalmente nas regiões sul e leste do país e nos subúrbios ao redor de Beirute, onde a presença do Hezbollah é mais forte. Mas os ataques não se limitaram a essas áreas.
Diante do agravamento da crise, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu um cessar-fogo imediato durante visita a Beirute na semana passada. Após reunião com o presidente libanês, Joseph Aoun, que já solicitou negociações com Israel, ele afirmou que o país foi “arrastado para uma guerra que seu povo nunca quis”.
O conflito tem alimentado críticas internas ao Hezbollah, acusado por parte da população de ter levado o Líbano para mais um confronto com Israel. Fundado em 1982 e apoiado pelo Irã, o grupo político-militar construiu ao longo das décadas um arsenal considerado por analistas mais robusto do que o próprio Exército libanês.
