sábado, março 28

Fed decide manter taxa de juros estável diante da instabilidade do mercado do petróleo nos EUA

O Banco Central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), manteve a taxa básica de juros americanas no intervalo de 3,5% a 3,75%, mostra comunicado divulgado nesta quarta-feira, 18, pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês). A decisão foi em linha com a expectativa do mercado, que aguardava a manutenção dos juros, segundo consenso do CME Group.

A decisão ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, considerada por analistas do setor petroleiro como a maior crise energética do século XXI. O Irã fechou o Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel. A região é responsável por escoar cerca de 20% da produção global de petróleo. O Irã também tem atingido bases petrolíferas de países vizinhos, como a Arábia Saudita.

Com isso, o preço do petróleo disparou 55% desde o início do conflito, saindo de cerca de 70,75 dólares para 109 dólares por barril. O movimento elevou o temor de pressões inflacionárias, levando investidores a recalcular as expectativas para o início do ciclo de cortes de juros pelo Fed.

Após a decisão anterior do FOMC, no fim de janeiro, cerca de 60% do mercado precificava um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 17 de junho de 2026. A maioria dos especialistas estimava uma redução total de 0,5 ponto percentual ao longo do ano, com a taxa encerrando 2026 entre 3% e 3,25% ao ano, segundo dados da plataforma FedWatch, da Bolsa de Chicago.

No entanto, o cenário mudou. Por volta das 14h desta quarta-feira, antes da decisão, o FedWatch indicava divisão nas apostas: cerca de 39,6% dos investidores esperavam a manutenção dos juros no nível atual até o fim de 2026, enquanto 40,1% projetavam um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 9 de dezembro. No segundo caso, a taxa encerraria o ano entre 3,25% e 3,5% ao ano.

Assim, a decisão do Fed ocorre em um momento de incerteza sobre o nível dos juros ao fim de 2026. O mercado agora oscila entre um intervalo de 3,25% a 3,5% e a manutenção entre 3,5% e 3,75%, acima da projeção predominante em janeiro, que apontava queda para 3% a 3,25% ao ano. Em resumo, o avanço do petróleo e o risco inflacionário levaram à revisão para cima das expectativas para os juros americanos.