quinta-feira, março 26

Irã se despede de Ali Larijani com honras e juramentos de retaliação: ‘A guerra está apenas começando’

O regime iraniano prometeu nesta quarta-feira, 18, vingar a morte de Ali Larijani, o poderoso chefe do Conselho Supremo de Segurança que foi assassinado por um bombardeio israelense dois dias antes. Ele será enterrado em Teerã, com homenagens também para o comandante da maior força paramilitar do país e a soldados mortos em um ataque dos Estados Unidos a um navio da Marinha nacional.

O comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, prometeu vingança e afirmou que a resposta ao assassinato de Larijani será “decisiva”. Já o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a morte do chefe da segurança não vai desestabilizar o sistema político de Teerã, acrescentando que ninguém escapará das consequências da guerra que trava contra Israel e Estados Unidos.

“A onda de consequências mundiais está apenas começando e afetará a todos, sem distinção de riqueza, religião ou raça”, advertiu Araghchi.

Na semana passada, Larijani adotou uma postura desafiadora ao participar de uma manifestação nas ruas de Teerã, apesar de ser tido como alvo.

O funeral de Larijani está marcado para esta quarta em Teerã, segundo as agências iranianas Fars e Tasnim. A cerimônia acontecerá ao mesmo tempo que os funerais do comandante da força paramilitar basij, Gholamreza Soleimani, que também foi morto na terça-feira, e dos mais de 80 marinheiros da fragata afundada por um submarino americano há duas semanas nas costas do Sri Lanka.

Novos ataques

Na terça-feira, Israel anunciou que “eliminou” Larijani, figura crucial do governo iraniano há décadas, além de um general de uma milícia vinculada à Guarda Revolucionária. O Irã confirmou sua morte poucas horas após o anúncio israelense.

Em retaliação à morte do chefe da Segurança, o Irã usou uma “bomba de fragmentação” em um ataque lançado contra Israel nesta terça-feira. Segundo o governo israelense, duas pessoas foram mortas pela ofensiva que atingiu uma cidade próxima a Tel Aviv.

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, disse ter lançado mísseis nesta quarta-feira contra Israel “em vingança pelo sangue do mártir Ali Larijani e de seus companheiros”.

O Exército israelense, por sua vez, afirmou que está determinado a “localizar, encontrar e neutralizar” o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde os primeiros ataques em 28 de fevereiro. O paradeiro e o estado de saúde do sucessor, aparentemente ferido no mesmo ataque que matou seu pai, são objeto de especulações. “Não se sabe se ele está morto ou não”, disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira.

Segundo fontes do governo dos Estados Unidos de Israel, o guia supremo pode estar “desfigurado” ou ferido devido ao ataque que matou seu pai.

“Não sabemos nada sobre Mojtaba Khamenei, não o escutamos, não o vemos, mas podemos dizer algo: vamos rastreá-lo, encontrá-lo e neutralizá-lo”, declarou o porta-voz militar israelense Effie Defrin.

Quem é Ali Larijani

Peça fundamental da República Islâmica e um de seus ideólogos, Larijani é considerado o alvo de maior hierarquia visado pela ofensiva de Israel e dos Estados Unidos desde a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, no início dos bombardeios em 28 de fevereiro.

Matemático e filósofo de formação, e veterano da guerra Irã-Iraque (1980-1988), ele foi ministro da Cultura, diretor da rádio e televisão pública, coordenador das negociações sobre o programa nuclear, presidente do Parlamento, candidato à presidência e, nos últimos anos, chefe do Conselho Supremo de Segurança.

Larijani e Soleimani “se uniram nas profundezas do inferno a (Ali) Khamenei”, afirmou Katz.

O poderoso chefe da segurança desempenhou um papel muito mais visível desde o início da guerra do que o filho e sucessor do líder supremo.

Larijani também foi um dos funcionários afetados por sanções dos Estados Unidos em janeiro pelo que Washington qualificou de “repressão violenta do povo iraniano”, após os protestos em todo o país que começaram no fim de 2025.