quarta-feira, março 25

Vice-presidente da CPMI do INSS afirma que incertezas persistem em relação a Lulinha

A investigação da CPMI do INSS sobre supostas irregularidades no esquema bilionário de desvio de aposentadorias segue cercada de incertezas — e, segundo integrantes da comissão, deve permanecer assim enquanto não houver acesso a provas documentais.

Vice-presidente do colegiado, o deputado Duarte Jr. afirmou que a ausência de dados concretos impede qualquer conclusão definitiva sobre o caso. “Se a gente não olha os documentos, a gente continua tendo dúvida”, disse em entrevista ao programa Ponto de Vista, de uma fonte não revelada.

O impasse foi agravado pela decisão do ministro Flávio Dino, que barrou a quebra de sigilo de Lulinha e de outros investigados. Para Duarte Jr., a medida limita o alcance da CPMI em um momento crucial das apurações.

A suspeita surgiu a partir de depoimentos que mencionam supostos repasses financeiros ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até agora, no entanto, não há comprovação documental dessas alegações — ponto reconhecido inclusive por integrantes da própria comissão.

Diante desse cenário, o deputado defende que o acesso aos dados é essencial não apenas para avançar na investigação, mas também para evitar julgamentos precipitados. “A gente precisa ter acesso aos documentos para verificar se de fato ele tem culpa ou não”, afirmou.

Segundo ele, a restrição imposta pelo Supremo prejudica dois lados: a CPMI, que não consegue aprofundar a apuração, e o próprio investigado, que permanece sob suspeita sem possibilidade de esclarecimento definitivo.

Nos bastidores, o caso é visto como um dos pontos mais sensíveis da comissão, que aguarda decisão do ministro André Mendonça sobre a prorrogação dos trabalhos. Sem a extensão do prazo e sem acesso a novas informações, a tendência é que o relatório final seja concluído com lacunas.