sábado, abril 4

Cientista revela como a existência do multiverso está ligada à nossa percepção de realidade.

A existência de um multiverso — entendido como o conjunto de todos os universos possíveis — não pode ser confirmada sem antes esclarecer o que se considera “real”, diz o astrofísico Zachary Slepian. Em artigo publicado no The Conversation, o professor associado de Astronomia da Universidade da Flórida argumenta que a resposta varia conforme o critério adotado para realidade e que critérios sensoriais são insuficientes para resolver a questão.

Mecânica quântica e a noção de multiverso

Slepian observa que limitar a realidade ao que pode ser percebido diretamente ignora fenômenos conhecidos apenas por evidências indiretas, como micro-ondas detectadas por instrumentos ou a existência de dinossauros inferida a partir de fósseis. A partir desse ponto, ele discute como a mecânica quântica complica ainda mais o tema, ao introduzir um elemento de imprevisibilidade nos resultados experimentais.

Segundo o pesquisador, a teoria quântica permite calcular apenas probabilidades de ocorrência, não garantir resultados fixos — uma comparação com o lançamento de um dado ilustra essa incerteza. Dessas considerações emerge a interpretação conhecida como “muitos mundos”, que propõe que todas as possibilidades acontecem, cada uma em um universo diferente. Para Slepian, porém, essa interpretação permanece uma leitura possível da mecânica quântica, não uma prova da existência de múltiplos universos.

Teoria das Cordas e universos possíveis

Outra linha de argumentação envolve a Teoria das Cordas, que descreve partículas fundamentais como cordas de energia vibrando e permite a existência de dimensões extras além das três espaciais familiares. Conforme Slepian, versões distintas da teoria sugerem que constantes físicas fundamentais poderiam variar, o que abriria espaço para universos com propriedades diferentes das nossas.

Ele ressalta, no entanto, que nem a Teoria das Cordas nem a hipótese de outros universos contam com comprovação definitiva até o momento. Se esses universos existirem, acrescenta o pesquisador, podem estar desconectados do nosso de forma que provas diretas fiquem fora de alcance.

Imagem: Divulgação

Evidências e limites atuais

Slepian aponta que a Teoria das Cordas pode gerar previsões testáveis em condições de altíssima energia ou em escalas extremamente pequenas; confirmação dessas previsões forneceria evidência indireta para a teoria e, por extensão, para cenários multiversais. Ainda assim, ele enfatiza que não há comprovação direta até aqui e que interpretações como a dos “muitos mundos” permanecem especulativas.

O debate, portanto, segue condicionado à definição do que se aceita como real e à possibilidade de obter indícios indiretos que corroborem teorias capazes de implicar múltiplos universos.

Com informações de Olhardigital