quinta-feira, abril 23

Trump se depara com desafios que antes condenou no pacto nuclear de Obama com o Irã

Depois de uma década criticando severamente o pacto nuclear assinado em 2015 pelo ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, Donald Trump agora está considerando concessões que podem ajudar a resolver o conflito que ele mesmo iniciou com os ataques realizados em 28 de fevereiro contra o território do Irã.

Dentre as concessões em discussão, está a possibilidade de liberar aproximadamente 20 bilhões de dólares em ativos iranianos que estão congelados em instituições financeiras internacionais. Enquanto isso, Teerã mantém sua posição firme ao se recusar a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, que é um dos principais alvos das críticas feitas pelos republicanos ao Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA) de 2015.

Cálculos frequentemente mencionados por autoridades norte-americanas indicam que o Irã ainda detém mais de 400 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, um nível que se aproxima do necessário para a fabricação de armas nucleares.

Trump, por sua vez, afirma que seu novo acordo não apresentará as falhas que ele criticou no pacto anterior. Ele declarou na rede Truth Social nesta segunda-feira, dia 20, que “o acordo de 2015 foi um caminho garantido para a obtenção de uma arma nuclear, algo que não ocorrerá e não pode ocorrer com o acordo que estamos desenvolvendo”.

O republicano complementou: “O ACORDO que estamos elaborando com o Irã será MUITO MELHOR”. Ele também afirmou: “Caso um Acordo seja firmado sob ‘TRUMP’, ele assegurará Paz e Segurança não apenas para Israel e o Oriente Médio, mas também para a Europa, América e outros lugares. Será algo do qual o mundo inteiro se orgulhará.”

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Além das questões nucleares, Trump pretende incluir no futuro acordo tópicos como o programa de mísseis do Irã e seu suporte a grupos regionais como Hamas e Hezbollah — assuntos que ficaram fora das discussões do acordo anterior. Contudo, especialistas acreditam que ampliar o escopo das negociações pode complicar ainda mais as conversações.

Incertezas

Nesta terça-feira, o presidente americano anunciou a prorrogação do cessar-fogo com o Irã poucos instantes antes do término do prazo estipulado, aguardando uma proposta da parte iraniana. Em contrapartida, ele ordenou às forças americanas a manutenção do bloqueio marítimo vigente sobre o Estreito de Ormuz.

A declaração acontece em meio a dúvidas sobre as negociações. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou nesta quarta-feira, dia 22, que sua força naval interceptou dois navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, conduzindo ambos para águas sob jurisdição da República Islâmica.

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“A força naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica identificou e deteve esta manhã no Estreito de Ormuz dois navios infratores”, informou o exército ideológico em um comunicado. “Os dois navios foram apreendidos e levados para a costa iraniana”, acrescenta a nota oficial.

Ainda assim, paralelamente às ações da Guarda Revolucionária, a República Islâmica não confirmou oficialmente a extensão do cessar-fogo.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, desencadeado em 28 de fevereiro por ataques israelenses e americanos contra o Irã, houve uma rodada de negociações em Islamabad, mas essa terminou sem qualquer resultado. O Paquistão, atuando como mediador, busca organizar um novo ciclo de diálogos para pôr fim ao conflito que resultou na morte de milhares de civis, especialmente no Irã e no Líbano, além de impactar negativamente a economia global.

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