quinta-feira, maio 7

Negociador iraniano denuncia tentativa dos EUA de impor capitulação ao Irã

Na última quarta-feira, 6, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, denunciou que os Estados Unidos estão tentando forçar a capitulação de Teerã por meio de diversas táticas, incluindo um bloqueio naval no Estreito de Ormuz. Essa declaração surge em um contexto de progresso nas negociações para a resolução definitiva do conflito que teve início no final de fevereiro.

“O adversário, em sua nova estratégia, busca desestabilizar nossa unidade por meio de um bloqueio naval, pressão econômica e manipulação da mídia, com o intuito de nos forçar a nos render”, afirmou Ghalibaf em uma mensagem divulgada em seu canal oficial no Telegram.

Essas declarações acontecem em um momento crucial, pois Teerã está avaliando uma proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim ao conflito que se arrasta desde 28 de fevereiro. Segundo informações do portal Axios, Washington entregou um memorando com 14 pontos que visa formalizar o término das hostilidades e estabelecer uma base para futuras negociações sobre o programa nuclear iraniano.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, informou que Teerã está considerando a proposta e que a decisão final será comunicada ao Paquistão, que atua como mediador na situação. O governo americano mantém expectativas positivas quanto à assinatura do acordo de paz, apesar das ameaças públicas feitas pelo presidente Donald Trump em caso de recusa.

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“Caso não aceitemos os termos, os bombardeios terão início e serão em uma escala e intensidade muito superiores aos anteriores”, escreveu Trump em sua plataforma social Truth Social.

A recente evolução nas conversas ocorre após dias marcados por elevadas tensões no Estreito de Ormuz, situação que foi amenizada quando os Estados Unidos decidiram suspender uma operação militar destinada a escoltar embarcações pela rota marítima estratégica para “abrir espaço” para as negociações.

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A expectativa é que Washington receba respostas do Irã sobre vários pontos cruciais nas próximas 48 horas. Embora ainda não haja acordos firmados, fontes governamentais americanas relataram ao Axios que este é o momento mais próximo que as partes estiveram de um entendimento desde o início das hostilidades. Os principais negociadores dos EUA são os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, que têm mantido diálogo com diversos representantes iranianos diretamente ou através de mediadores.

“Estamos prestes a finalizar isso. Estamos muito próximos”, declarou uma fonte ligada ao Paquistão à agência Reuters. De acordo com essa autoridade, o ministro das Relações Exteriores paquistanês está empenhado em assegurar que o acordo resulte em um “fim duradouro” do conflito.

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