quarta-feira, maio 13

CBO projeta que custo do “Domo de Ouro” pode chegar a US$ 1,2 trilhão em duas décadas, seis vezes superior ao do Pentágono

O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) apresentou uma nova projeção de custos para o sistema antimísseis denominado “Domo de Ouro”, que foi sugerido pelo ex-presidente Donald Trump. Segundo a análise, o investimento total para o programa pode alcançar aproximadamente US$ 1,2 trilhão ao longo de duas décadas. Esse montante é cerca de seis vezes maior do que a estimativa prévia do Pentágono, que previa um gasto de US$ 185 bilhões, englobando as despesas com desenvolvimento, implementação e operação do sistema.

Definição do Domo de Ouro

O projeto Domo de Ouro tem como objetivo fortalecer a defesa dos Estados Unidos contra mísseis, integrando a modernização de componentes terrestres — como interceptadores, sensores e centros de comando — com uma nova camada espacial que visa detectar e monitorar ameaças. A proposta inclui a habilidade de interceptar mísseis em suas fases iniciais de voo, antes que eles reentrem no espaço aéreo norte-americano.

Conforme indicado pelo CBO, essa camada espacial interceptora exigiria a criação de uma constelação composta por cerca de 7.800 satélites, representando aproximadamente 70% do custo total para adquirir o sistema. Os gastos apenas com a aquisição dos equipamentos e infraestrutura devem ultrapassar US$ 1 trilhão, prevendo cobertura abrangente em todo o território dos EUA, incluindo o Alasca e o Havaí.

A análise sugere que este sistema seria capaz de neutralizar ataques provenientes de nações com capacidades militares limitadas, como a Coreia do Norte. No entanto, há preocupações quanto à possibilidade de uma ofensiva em grande escala por parte de potências como Rússia ou China, que poderia sobrecarregar as defesas estabelecidas.

Críticas ao projeto e contratos já autorizados

A proposta gerou controvérsias no Congresso americano. O senador democrata Jeff Merkley expressou sua preocupação ao afirmar que o projeto implica uma alocação significativa de recursos públicos em benefício das empresas da indústria da defesa. Em contrapartida, a Força Espacial dos EUA (USSF) já começou a autorizar contratos para o desenvolvimento das tecnologias relacionadas ao Domo de Ouro: até agora, 12 empresas receberam acordos que podem somar até US$ 3,2 bilhões.

Esses contratos incluem o desenvolvimento de interceptadores espaciais projetados para destruir mísseis durante seu trajeto no espaço, posicionados em órbita ao invés de em solo. O Pentágono informou que os futuros contratos para produção poderão gerar entre US$ 1,8 bilhão e US$ 3,4 bilhões anualmente, com as empresas escolhidas obrigadas a investir recursos próprios nas fases iniciais do projeto.

Imagem: Divulgação

Empresas renomadas no setor da defesa como Lockheed Martin, Northrop Grumman, RTX e Boeing são vistas como potenciais concorrentes pelos contratos principais do programa. A ordem executiva para criação do Domo de Ouro foi assinada por Trump em janeiro de 2025, com um prazo estipulado pelo governo para que o sistema comece a operar até 2028.

O relatório apresentado pelo CBO serve como base para discussões acerca da viabilidade financeira e da abrangência do projeto nos próximos vinte anos.

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