quinta-feira, maio 21

Raúl Castro, ex-líder cubano, enfrenta acusações de homicídio nos EUA

Na última quarta-feira, 20, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizou um processo contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, sob a acusação de assassinato. Este movimento ocorre em meio a um aumento das tensões entre o governo Donald Trump e a Cuba comunista, que o presidente americano deseja ver substituída por um regime mais favorável.

A denúncia foi protocolada em 23 de abril em um tribunal federal de Miami e inclui acusações de conspiração para assassinar cidadãos americanos, além de quatro homicídios e destruição de aeronaves. Juntamente com Castro, outras cinco pessoas também enfrentam acusações ligadas ao ataque fatal a aviões do grupo humanitário Hermanos al Rescate, ocorrido em 1996. O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, destacou que caças MiG-29 da Força Aérea Cubana derrubaram duas aeronaves desarmadas do grupo fundado por exilados cubanos, resultando na morte de quatro pilotos em espaço aéreo internacional.

No contexto do incidente, o governo cubano argumentou que a ação foi uma resposta legítima à violação do seu espaço aéreo. Fidel Castro alegou que seus militares atuaram sob “ordens permanentes” para abater qualquer avião que invadisse os céus cubanos e assegurou que Raúl, na época ministro da Defesa, não havia dado uma ordem específica para o ataque. Contudo, tanto os Estados Unidos quanto a Organização da Aviação Civil Internacional concluíram que os eventos ocorreram em águas internacionais.

Em uma cerimônia realizada nesta quarta-feira em Miami para homenagear as vítimas do incidente, Blanche enfatizou: “Minha mensagem é clara: os Estados Unidos e o presidente Trump não esquecem e não esquecerão seus cidadãos”.

Aos 94 anos, Raúl Castro foi visto publicamente pela última vez no início deste mês em Cuba. Não há informações sobre sua saída da ilha ou sobre uma possível extradição por parte do governo cubano. Ele é uma figura proeminente na revolução cubana e contribuiu para derrotar a invasão americana na Baía dos Porcos em 1961. Após suceder seu irmão como presidente em 2008, deixou o cargo há oito anos, mas permanece influente nos bastidores da política cubana.

Tensões Aumentando

A acusação contra Raúl Castro surge em um período em que Donald Trump intensifica as pressões por mudanças no regime cubano, que está sob controle comunista desde a revolução liderada por Fidel Castro em 1959. Washington tem imposto severas sanções à ilha caribenha e ameaçado países que fornecem combustível para Cuba, resultando em apagões generalizados e agravando a já fragilizada economia local.

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Nesta quarta-feira, Trump descreveu Cuba como “um Estado pária que abriga forças militares hostis” e apresentou suas ações contra Havana como parte de um esforço mais amplo para expandir a influência americana nas Américas.

“Das margens de Havana até as margens do Canal do Panamá, vamos expulsar as forças do crime e da invasão estrangeira”, declarou durante um evento na Academia da Guarda Costeira no Connecticut.

Desde a ascensão ao poder de Fidel, ele estabeleceu uma aliança com a União Soviética durante a Guerra Fria e confiscou propriedades americanas em Cuba. Desde então, os Estados Unidos mantêm um embargo econômico sobre a ilha com aproximadamente 10 milhões de habitantes. Embora tenha havido tentativas intermitentes de diálogo ao longo dos anos, as relações diplomáticas tiveram breves melhoras durante o segundo mandato do ex-presidente Barack Obama; no entanto, Trump adotou uma postura mais rígida novamente. O processo contra Raúl Castro representa um novo ponto crítico nas relações entre os dois países.

Proposta aos Cubanos

Em uma mensagem divulgada na quarta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, fez uma oferta ao povo cubano sugerindo estabelecer uma nova relação com os Estados Unidos mediante cooperação com o governo Trump. Ele anunciou que os EUA estariam dispostos a fornecer US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 503 milhões) em alimentos e medicamentos para ajudar a população cubana.

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“Atualmente, Cuba não está sob controle revolucionário; está sob domínio da Gaesa — um Estado dentro do Estado que não presta contas e monopoliza os lucros para beneficiar uma pequena elite”, afirmou Rubio no vídeo divulgado durante as comemorações do Dia da Independência cubana.

Filho de imigrantes cubanos na Flórida, Rubio acrescentou que o governo Trump deseja “uma nova Cuba onde vocês possam ser donos de seus próprios negócios — seja postos de gasolina ou restaurantes — e onde não apenas o regime comunista tenha controle sobre mídias como redes de TV ou jornais”.

O chanceler cubano Bruno Rodríguez respondeu à proposta chamando-a de cínica e destacando o “efeito devastador” do embargo econômico imposto pelos EUA.

Apetite por Intervenção Militar?

Após o anúncio das intenções do Departamento de Justiça americano acerca das acusações contra Raúl Castro na semana passada, começaram especulações sobre uma possível operação militar para capturá-lo — semelhante à ação realizada contra Nicolás Maduro na Venezuela no início deste ano.

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Fontes indicam ao portal Politico que Trump e seus assessores estão se sentindo cada vez mais frustrados pelo fato das táticas coercitivas não terem pressionado os líderes cubanos a implementarem reformas significativas. Como resultado disso, consideram agora opções militares com mais seriedade.

A autoridade comentou: “O clima definitivamente mudou. A ideia inicial era que a liderança cubana era fraca; acreditava-se que as sanções aumentadas junto com restrições ao petróleo poderiam intimidá-los. Agora vemos que tanto Irã quanto Cuba estão mais resistentes do que se pensava inicialmente”.

No início deste mês março passado, Trump mencionou Cuba como “a próxima” após Venezuela (e Irã). Em resposta às ameaças americanas, Miguel Díaz-Canel, presidente cubano atual alertou sobre possíveis consequências catastróficas caso haja alguma ação militar contra seu país.

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