
Como resposta à proposta do governo dos Estados Unidos que sugere a imposição de tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre importações de 60 países, a União Europeia declarou, nesta quarta-feira, 3, que as alegações feitas por Washington são “sem fundamento”. O bloco europeu refuta a acusação de não ter implementado legislações para coibir produtos oriundos do trabalho forçado e argumenta que sua legislação é uma das mais rigorosas globalmente.
Em um comunicado, o porta-voz adjunto da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou: “A Comissão irá examinar minuciosamente as conclusões iniciais da investigação realizada pelos EUA e prosseguirá com o diálogo com as autoridades americanas. Contudo, a União Europeia acredita que a imposição dessas tarifas é injustificável”.
<spanAs declarações de Gill referem-se ao relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA na última terça-feira, 2. Esse documento indica que as tarifas seriam uma ação necessária para combater o comércio de bens fabricados sob condições de trabalho forçado.
<span“O fato de nossos parceiros comerciais não lidarem adequadamente com esse tipo de importação é inaceitável. Isso cria uma situação em que trabalhadores americanos enfrentam competição desleal”, comentou Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA.
<spanNo entanto, representantes europeus contestam essa afirmação e observam que as tarifas já eram previstas, sugerindo que Washington apenas utilizou essas alegações “absolutamente absurdas” como justificativa. Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, destacou: “A sensação crescente é a de que uma medida tarifária é buscada inicialmente e somente depois se procura uma justificativa legal para isso”.
A proposta polêmica da administração do ex-presidente Donald Trump também gerou reações em outros países. O Reino Unido, que deixou a União Europeia em 2020, afirmou manter diálogos frequentes com Washington e pretende implementar medidas para assegurar que empresas britânicas “não sejam cúmplices do trabalho forçado e das violações dos direitos humanos”.
<spanNa Ásia, a Índia adotou um posicionamento mais cauteloso em relação à proposta, informando estar em negociações sobre a alíquota de 12,5% e destacando que as sugestões apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio ainda não são definitivas. Uma postura semelhante foi adotada por Taiwan, que enfrenta uma tarifa de 10%, expressando-se como “esperançosa e confiante” quanto a possíveis mudanças no cenário.
<spanPor outro lado, a China manifestou forte oposição à posição dos EUA. Segundo o governo chinês, as tarifas “unilaterais” são utilizadas como um instrumento de “manipulação política”, afirmando ainda que “não existe trabalho forçado na China”.
