
Na busca por estreitar laços com a comunidade evangélica, o presidente Lula lançou uma carta direcionada às famílias desse grupo, que foi divulgada na terça-feira, 13. Segundo o editor de Política José Benedito da Silva, essa ação surge após uma relação mais cautelosa com os líderes religiosos durante a campanha eleitoral e tem poucas chances de mudar o quadro atual. Entretanto, ele acredita que conquistar uma parte desse eleitorado pode ser crucial em um pleito competitivo contra Flávio Bolsonaro (este texto é um resumo do vídeo acima).
“Essa movimentação parece ser uma preocupação que surge nos momentos finais”, comentou José Benedito no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, nesta quarta-feira, 14. O editor caracterizou a iniciativa como “quase desesperada” e ressaltou que o distanciamento do governo em relação às principais lideranças religiosas aumentou as dificuldades enfrentadas pelo presidente nesse segmento.
Por que Lula enfrenta desafios entre os evangélicos?
Conforme exposto por José Benedito, a desvantagem do presidente nesse segmento se ampliou ao longo da disputa eleitoral. Ele mencionou pesquisas em que Flávio obtém mais de 60% das intenções de voto entre os evangélicos. “O governo perdeu o diálogo e o contato com essas lideranças”, observou. Para ele, a maioria dessas figuras religiosas optou por apoiar o candidato do PL.
Um exemplo das dificuldades que aliados de Lula enfrentam nesse contexto é o caso do deputado federal e pastor Otoni de Paula. Segundo José Benedito, embora tenha defendido o presidente durante a campanha, ele obteve apenas 19 mil votos e não conseguiu se reeleger. Esse resultado ilustra a resistência do eleitorado evangélico em apoiar o governo.
Conteúdo da carta enviada às famílias evangélicas
No documento apresentado por Laísa, Lula apela para que os eleitores busquem orientação divina ao tomarem suas decisões. “Dirijam-se às urnas com consciência livre e renovada aliança com nosso querido Brasil”, escreveu o presidente. Ele, que é católico, também expressa respeito pelos evangélicos e pelas diversas crenças religiosas.
A carta aborda ainda a proposta de revogação da jornada de trabalho seis por um, vinculada à possibilidade de dois dias de descanso por semana e mais tempo para frequentar cultos religiosos. Para José Benedito, essa estratégia visa retomar a tentativa do governo de atrair os evangélicos através de políticas sociais, diante das dificuldades em dialogar sobre questões religiosas e morais.
Diferanças em relação à campanha de 2022
Laísa salientou que, nas eleições de 2022, houve um esforço mais abrangente para conquistar apoio entre os evangélicos. Naquela ocasião, Lula organizou encontros com líderes religiosos e também enviou uma carta ao grupo. Em contraste, neste ano as ações foram mais discretas, apesar de algumas reuniões terem ocorrido, algumas intermediadas por Rosângela da Silva, conhecida como Janja.
