
Depois de percorrer centenas de sacos pretos contendo cadáveres, os pais de uma jovem iraniana de pouco mais de 20 anos finalmente localizaram o corpo da filha. O oficial responsável pelo procedimento concedeu ao casal dez minutos para prestar respeito à memória da vítima antes de dar continuidade aos trâmites policiais.
Ao término do breve momento de luto, as famílias foram surpreendidas por uma cobrança equivalente a aproximadamente 27 mil reais, valor calculado pelo governo para cobrir as munições utilizadas na ação que resultou na morte da jovem. Em seguida, eles foram transportados por cerca de cinco horas até uma cidade distante, onde o corpo foi depositado em uma vala comum.
Estimativa de mortos e feridos
O regime iraniano não divulgou um levantamento oficial das vítimas. No entanto, uma rede independente de médicos apura que entre 16.500 e 18.000 manifestantes perderam a vida durante os protestos. Ainda de acordo com esse grupo, de 330 mil a 380 mil pessoas ficaram feridas nos confrontos. A maioria dos atingidos tinha menos de 30 anos e incluía esportistas, estudantes, artistas, além de crianças e gestantes, apontando para o alto impacto da repressão sobre a juventude do país.
Bloqueio de internet e vítimas civis
Em meio a esses conflitos, a restrição ao acesso à internet tem agravado a situação. A pesquisadora Garzaneh Badiei declarou em entrevista ao site NPR que, sempre que o governo interrompeu as conexões, o número de mortos foi significativamente maior do que em períodos de rede aberta, quando manifestantes podiam relatar e retransmitir os acontecimentos em tempo real.
Imagem: Divulgação
Paralelamente, há relatos sobre o uso do serviço de internet via satélite Starlink como estratégia para contornar o cerceamento de informações imposto pela ditadura iraniana, tema explorado em reportagem assinada por Dagomir Marquezi.
Com informações de Revistaoeste
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