sábado, março 7

Premiê britânico lamenta nomeação de embaixador ligado ao caso Epstein

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse nesta quarta-feira, 4, estar arrependido de ter nomeado Peter Mandelson para o cargo de embaixador do Reino Unido em Washington. O diplomata renunciou à filiação ao Partido Trabalhista após novas informações sobre sua relação com o falecido predador sexual Jeffrey Epstein serem reveladas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Documentos divulgados na última sexta-feira 30 mostram que Mandelson manteve Epstein informado sobre alterações na política fiscal britânica e incluem extratos de pagamentos feitos pelo criminoso ao político — além de uma controversa foto dele de cuecas ao lado de uma mulher.

Após a publicação dos arquivos, Starmer disse que Mandelson criou uma série de mentiras sobre seus vínculos com Epstein e alegou ter agido rapidamente para retirar todos os títulos do diplomata, a quem ele acusou de “trair” o Reino Unido.

“Estou tão zangado quanto qualquer um com o que Mandelson tem feito. As divulgações que foram feitas nesta semana, revelando que ele passou informações confidenciais no auge da resposta à crise financeira de 2008, são totalmente chocantes e terríveis”, disse Starmer em uma sessão do Parlamento nesta quarta.

O premiê britânico nomeou Mandelson no final de 2024, alegando que os trabalhos anteriores do diplomata nos governos de Tony Blair e Gordon Brown o tornaram uma pessoa ideal para se relacionar com Washington durante o novo mandato do presidente Donald Trump.

Mandelson foi demitido em setembro do ano passado, após sete meses no cargo, quando vieram à tona documentos mostrando que o ex-embaixador britânico permaneceu próximo de Epstein após o financista ser considerado culpado de crimes sexuais contra menores de idade pela primeira vez, em 2008.

No último domingo, Mandelson redigiu uma carta de renúncia em que disse à secretária-geral do Partido Trabalhista, Hollie Ridley, que não desejava causar mais “constrangimentos” à sigla. No texto, ele pede “desculpas às mulheres e meninas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo”.

Ligação Epstein-Mandelson

No que diz respeito a supostos pagamentos enviados por Epstein a Mandelson, presentes na documentação do Departamento de Justiça, o ex-embaixador disse acreditar que as alegações são falsas, mas que precisam ser investigadas por ele, uma vez que afirma “não ter registro ou lembranças”. Os extratos expostos nas peças mostram três depósitos separados de US$ 25 mil em referência ao ex-secretário de negócios britânico, enviados das contas bancárias do predador sexual.

A mais recente leva de documentos também trouxe imagens do ex-diplomata de roupas íntimas ao lado de uma mulher. Em resposta, o político afirmou que “não consegue identificar o local ou a mulher, e não consegue pensar em quais eram as circunstâncias”.

O material exposto pelo Departamento de Justiça mostra Mandelson atuando em favor de Epstein em diferentes momentos, seja tentando modificar ações governamentais, seja o informando sobre movimentações notáveis de políticos. Em e-mails datados de 2009, época em que Mandelson atuava como secretário de negócios no governo do premiê Gordon Brown, ele assegura a Epstein de que estava “se esforçando” para mudar a política do governo sobre banqueiros a seu favor.

Outra peça, datada de 2010, mostra Mandelson atualizando o notório criminoso sexual sobre a campanha contra o imposto de mineração do então primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd. Na ocasião, Rudd havia proposto um imposto que tributaria em 40% os superlucros obtidos pelas empresas de mineração no país. No e-mail, o britânico encaminhou a Epstein uma mensagem privada do chefe da mineradora Xstrata, Mick Davis, discutindo a movimentação.