
A suspensão de operações aéreas em parte dos Estados Unidos na terça-feira, 10, teria ocorrido após a entrada de drones de cartéis mexicanos no espaço aéreo americano, afirmou uma fonte ouvida pela agência de notícias. A presença das aeronaves não tripuladas teria forçado o Departamento de Defesa a tomar medidas para desativá-los, podendo afetar a aviação comercial.
O fechamento do espaço aéreo para todos os voos no Aeroporto Internacional de El Paso, na fronteira americana com o México, foi normalizado nesta quarta-feira, após a Agência de Aviação Civil afirmar que poderia mantê-lo fechado por até dez dias por “razões de segurança”, deixando milhares de viajantes presos.
+ O que fez aeroporto nos EUA suspender voos de forma sem precedentes
Durante o primeiro aviso, ao anunciar a suspensão de operações, a FAA havia indicado que “nenhum piloto pode operar aeronaves nas áreas cobertas por esse alerta”. O espaço restrito pela agência englobava todo o espaço aéreo sobre El Paso, no oeste do Texas, e a cidade vizinha de Santa Teresa, no estado do Novo México. A medida entrou em vigor às 23h30 de terça-feira, 10, no horário local (aproximadamente 3h30 de quarta no horário de Brasília) e foi suspensa na manhã desta quarta.
O bloqueio havia sido confirmado oficialmente pelo aeroporto através das redes sociais, afirmando que todos os voos, “incluindo aviação comercial, de carga e geral” haviam sido suspensos. A restrição pegou passageiros e companhias aéreas de surpresa, fazendo com que muitas aeronaves ficassem presas no local.
Tensões regionais
Fontes ouvidas pela agência de notícias já haviam afirmado que a suspensão dos voos estaria diretamente relacionada ao uso de tecnologia antidrone pelo Departamento de Defesa americano para combater cartéis de drogas mexicanos na fronteira. Em janeiro, o presidente Donald Trump afirmou que o México era controlado pelos cartéis e que Washington poderia atacar alvos terrestres para combatê-los.
As tensões entre os EUA e seus vizinhos na América Latina se tornaram mais frequentes desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025. No final do ano passado, o republicano deu início a um cerco militar na Venezuela que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro em 3 de janeiro. À época, a FAA restringiu voos por toda a região do Caribe devido a possíveis riscos de segurança.
Os receios quase se comprovaram em dezembro, quando uma aeronave de passageiros quase colidiu com um avião-tanque da Força Aérea Americana nas proximidades da Venezuela. Na época, o avião estava partindo de Curaçao, no Caribe, em direção a Nova York, sendo forçado a interromper a subida para desviar do veículo militar, que voava sem transponder ligado, um equipamento padrão de aviação utilizado para identificação da aeronave por radares.
