
Vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, avalia que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto torna o cenário da eleição deste ano mais confortável para o presidente Lula. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, o dirigente petista afirmou que o sobrenome Bolsonaro estará na urna — e que isso, do ponto de vista eleitoral, favorece o campo governista.
“Político faz qualquer coisa, menos dar tiro na cabeça. O sobrenome Bolsonaro será candidato”, disse Quaquá, ao analisar a movimentação da direita e a provável saída do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, da disputa presidencial.
Para o prefeito, o ex-presidente Jair Bolsonaro preferiria lançar um herdeiro político a apoiar um nome competitivo fora do clã. “O Bolsonaro prefere perder para o Lula, mantendo o sobrenome dele, o legado político dele aceso, do que apoiar um candidato de direita que vai acabar com o legado político dele no dia seguinte da eleição”, afirmou.
Na avaliação do dirigente do PT, a entrada de Flávio Bolsonaro no páreo teria dois efeitos: consolidaria a extrema direita como força eleitoral e, ao mesmo tempo, inviabilizaria uma candidatura mais moderada no campo conservador. “O Flávio é candidato, vai ser candidato, obviamente. Tirou o espaço do Tarcísio e tirou o espaço de uma candidatura mais ao centro.”
Quaquá classificou o cenário como mais favorável a Lula. “Eu acho mais fácil, porque Bolsonaro é também mais fácil do que Tarcísio”, declarou. Embora tenha reconhecido que Jair Bolsonaro mantém apelo popular — “para o povo ele passa alguma autenticidade”. “O Flávio Bolsonaro é mais um político”, afirmou, dizendo que o senador tem menor capacidade de mobilização eleitoral.
Para o vice-presidente do PT, desde a Lava Jato consolidou-se no país uma força política de extrema direita que hoje representa a segunda maior corrente eleitoral brasileira. Ainda assim, ele aposta que, mantido o confronto direto com o bolsonarismo, o presidente Lula teria vantagem.
