sábado, fevereiro 21

A persistência do número 49%: os motivos de Lula para repetir essa porcentagem no segundo turno

A rodada mais recente de pesquisa sobre a eleição presidencial da AtlasIntel revelou um dado que intriga estrategistas dos dois lados: Lula aparece com 49% das intenções de voto em quase todos os cenários simulados de segundo turno (este texto é um resumo do vídeo acima).

Contra Jair Bolsonaro, inelegível e preso, Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro ou Flávio Bolsonaro, o percentual do presidente se mantém praticamente idêntico. Os adversários variam — Lula não (exceto contra Eduardo Leite; aí, o número seria 48%).

Para Yuri Sanches, da AtlasIntel, o número não é coincidência.

“Existe essa consolidação de que ele é o candidato que vai representar a continuidade do governo, o campo progressista e o campo antibolsonarista”, afirmou.

O dado remete diretamente ao desfecho de 2022, quando Lula venceu com pouco mais de 50% dos votos válidos. O 49% atual, segundo Yuri, reproduz aquele ambiente de polarização extrema.

Lula tem um teto no segundo turno?

O número fixo acende um alerta. Se Lula consolida o voto antibolsonarista, também parece encontrar ali um limite. O patamar é alto, mas não confortável.

“Abre esse alerta para que o governo saiba que a eleição vai ser apertada”, disse Yuri. “É necessário convencer esse eleitor de que a gestão foi positiva e que ainda há projeto para entregar.”

Em outras palavras: o presidente mantém uma base sólida, mas não avança além dela.

O que trava a arrancada?

Parte da explicação está na dinâmica da comunicação digital.

Yuri destacou que, mesmo quando o governo lança programas prioritários — como o “gás do povo” —, o alcance nas redes nem sempre supera o da oposição.

Segundo ele, postagens de nomes da direita, como Nikolas Ferreira, alcançaram mais repercussão do que os canais oficiais do governo ao tratar do mesmo tema.

“Essa é uma frente que o governo está trabalhando bastante”, disse, citando o esforço da equipe de comunicação comandada por Sidônio Palmeira. Houve melhora em relação aos primeiros anos da gestão, mas a disputa por narrativa continua desigual em alguns ambientes digitais.

Flávio precisa apresentar algo além do Fla-Flu?

No programa, a apresentadora Marcela Rahal chamou atenção para outro ponto: até agora, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro tem se sustentado muito mais na polarização do que em propostas concretas.

A ausência de um projeto definido pode influenciar o comportamento do eleitor no segundo turno.

Se Lula representa a continuidade, Flávio ainda precisa convencer que é mais do que a herança do sobrenome.

Uma repetição de 2022?

A leitura geral da pesquisa aponta para um cenário que lembra o embate anterior: disputa voto a voto, rejeições equivalentes e margem estreita.

Yuri foi direto ao ponto: “O convencimento do eleitorado vai ser bastante parelho, bastante brigado e difícil.”

O 49% repetido não é apenas estabilidade — é um aviso. A eleição pode estar desenhada para, mais uma vez, ser decidida nos detalhes.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.