quarta-feira, março 25

Estudo aponta que FIDCs mantêm inadimplência controlada e registram forte crescimento em 2025

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O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios viveu um ano de forte expansão em 2025 e atingiu níveis recordes, sem que isso tenha se traduzido, até agora, em aumento relevante do risco.

Dados da ANBIMA mostram que o mercado de capitais brasileiro somou R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas, alta de 6,4% em relação a 2024.

Dentro desse avanço, os instrumentos de securitização ganharam espaço, e os FIDCs se destacaram ao ultrapassar 1.000 operações, responder por 42% das emissões de renda fixa em número de negócios e captar R$ 90,8 bilhões, um dos maiores volumes da série histórica.

Na prática, esses fundos funcionam como uma ponte entre empresas que precisam antecipar recebíveis, como duplicatas, financiamentos ou parcelas a prazo e investidores em busca de retorno.

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O crescimento acelerado do segmento levanta uma dúvida natural: mais volume significa mais risco? Um estudo da Austin Rating indica que, pelo menos por enquanto, não.

A análise avaliou 103 fundos com diferentes tipos de carteira e comparou os níveis de atraso e inadimplência com o patrimônio líquido, ou seja, o tamanho total dos fundos.

Esse indicador ajuda a entender quanto das operações está sob risco em relação à capacidade de absorver perdas. Os dados mostram que a inadimplência permaneceu relativamente estável ao longo de 2025, mesmo com o crescimento do mercado.

Os atrasos de pagamento (acima de 15 dias) oscilaram entre 9% e 7,5% do patrimônio dos fundos, enquanto a inadimplência mais longa (acima de 90 dias) variou de 5% a 3,5%.

Embora os atrasos sejam naturalmente mais elevados por captarem problemas iniciais, não houve aumento relevante na migração desses casos para calotes prolongados, um sinal de que a qualidade das carteiras se manteve sob controle ao longo do período.

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Na prática, isso sugere que a expansão dos FIDCs ocorreu de forma relativamente equilibrada, sem deterioração expressiva dos indicadores de crédito. Ainda assim, o cenário exige atenção.

Em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo, a manutenção desses níveis dependerá da capacidade dos fundos de continuar filtrando riscos e da saúde financeira das empresas que originam os recebíveis.

O teste mais duro pode vir nos próximos ciclos econômicos, quando a pressão sobre inadimplência tende a aumentar.

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