sábado, março 28

Otânica debate estratégias para reabrir Estreito de Ormuz após pressão de Trump

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta quarta-feira, 18, que os estados-membros da aliança militar estão em negociações para avaliar a “melhor forma” de reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração veio um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusar nações que compõem a organização de cometer “um erro muito estúpido” ao se recusar a garantir a segurança da rota estratégica.

“Estive em contato com muitos aliados. Todos concordamos, é claro, que o estreito precisa ser reaberto. E o que sei é que os aliados estão trabalhando juntos, discutindo como fazer isso e qual a melhor forma de fazê-lo”, disse Rutte.

Rota fundamental para o comércio global de petróleo, o Estreito de Ormuz foi parcialmente bloqueado pelo Irã como retaliação ao ataque conjunto promovido pela coalizão EUA-Israel em 28 de fevereiro. Buscando desobstruir a passagem, Trump tem instado países aliados a enviar navios de guerra para escoltar os petroleiros que trafegam pela região — sem sucesso.

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Parceiros históricos de Washington, os estados-membros da Otan adotaram uma postura indiferente aos apelos de Trump, com muitos recusando abertamente tomar parte do conflito promovido pelos americanos. Na segunda-feira 16, Alemanha, Itália e Grécia disseram que não vão participar de operações militares contra o Irã. O presidente francês, Emmanuel Macron, adotou postura semelhante, dizendo que “nunca participaria” de operações no contexto atual.

Em resposta, Trump adotou uma retórica exaltada e contraditória, afirmando que Washington “não precisa de ajuda” e que sempre considerou a Otan como uma via de mão única. “Nós os protegemos, mas eles não farão nada por nós, especialmente em tempos de necessidade”, disse o republicano, em uma lamuriosa postagem na sua rede, a Truth Social.

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Nesta quarta, entretanto, o presidente americano parece ter mudado de ideia mais uma vez. Em nova publicação, ele sugeriu que os Estados Unidos podem abandonar a situação completamente, delegando a responsabilidade por lidar com a segurança do Estreito de Ormuz a outros países.

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Bloqueio

O Irã tenta usar seu controle sobre a passagem marítima para forçar a comunidade internacional a pressionar Estados Unidos e Israel pelo fim da guerra. Aproximadamente 14 milhões de barris passam pela rota localizada no Golfo Pérsico diariamente, e a queda no fornecimento levou a uma disparada nos preços do petróleo.

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Buscando alternativas para o impasse, as Forças Armadas americanas anunciaram um ataque com bombas antibunker de grande porte contra bases do Irã ao longo da costa do estreito na terça 17. No mesmo dia, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que os navios começaram a passar aos poucos pela rota, e que Washington está otimista para uma resolução em breve.

“Já se vê petroleiros começando a passar lentamente pelo estreito, e acho que isso é um sinal do quão pouco resta ao Irã”, disse Hassett. “Estamos muito otimistas de que isso vai acabar em breve”, complementou.

Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, havia falado que o bloqueio só era válido para navios dos Estados Unidos, Israel e seus aliados. De acordo com ele, a rota “permanece aberta” para embarcações de bandeiras não alinhadas a Washington.