
Durante seu depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que suas interações com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram exclusivamente sobre os efeitos da Lei Magnitsky, imposta pelo governo dos Estados Unidos. Ele enfatizou que esses diálogos não abordaram a situação do Banco Master. Na mesma audiência, Galípolo apresentou um panorama alarmante da condição financeira da instituição antes de sua liquidação, revelando que o banco tinha apenas 10% dos recursos necessários para saldar suas obrigações imediatas.
O que foi discutido entre Galípolo e Moraes?
Galípolo esclareceu que, apesar de ter realizado reuniões com ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, o foco das conversas foi unicamente a crise gerada pela Lei Magnitsky.
“Sempre mantive uma relação cordial com o ministro Alexandre de Moraes, assim como com qualquer membro do Supremo”, afirmou. Ele destacou que os assuntos abordados foram delicados, incluindo “privacidade e sigilo bancário e financeiro”, e se restringiram ao impacto da legislação internacional, que ele classificou como uma das crises mais desafiadoras de 2025.
Motivos para discutir a Lei Magnitsky
De acordo com Galípolo, as sanções aplicadas pelos EUA resultaram em uma crise sistêmica que demandou diálogo com várias autoridades. Ele explicou que a questão exigia discussões institucionais devido à natureza sensível dos dados envolvidos e os potenciais impactos no sistema financeiro.
Neste contexto, o presidente do BC reafirmou que todas as interações respeitaram os limites legais de confidencialidade e não se desdobraram em outros tópicos, como a liquidação do Banco Master.
A situação financeira do Banco Master antes da liquidação
Galípolo descreveu um cenário de grave fragilidade financeira. No momento da liquidação, no final de 2025, o banco possuía apenas cerca de 10% dos valores necessários para atender às suas obrigações com investidores. Essa falta de recursos foi crucial para a intervenção por parte do Banco Central.
A atuação do BC foi tardia?
Quando questionado sobre a temporalidade da liquidação, Galípolo defendeu que o Banco Central atuou conforme as normas estabelecidas pela legislação.
Ele explicou que a lei exige que todas as alternativas no mercado sejam esgotadas antes da decretação da liquidação, já que essa é considerada a solução mais econômica para o sistema financeiro. Durante esse processo, a autoridade monetária já monitorava sinais de alerta, como a venda de novas carteiras de crédito para aumentar a liquidez.
Suspeitas levantadas sobre o banco
Conforme mencionado por Galípolo, as investigações apontaram práticas irregulares que justificaram um exame mais aprofundado.
Ele relatou que em março de 2025, a equipe técnica do BC iniciou uma investigação sobre a real existência dos empréstimos registrados pelo banco — um procedimento essencial para validar a integridade das operações realizadas.
A razão do sigilo no caso
O presidente do BC também ressaltou que os detalhes relacionados à liquidação do Banco Master permanecem sob sigilo por até oito anos, conforme as diretrizes estabelecidas pela autoridade monetária.
Segundo ele, é imprescindível seguir rigorosamente esse protocolo para evitar questionamentos futuros e assegurar segurança jurídica ao processo. “É fundamental que seja seguido o rito mais estrito possível”, declarou.
A ausência de Campos Neto teve consequências?
A presença do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto era esperada na CPI; no entanto, ele não compareceu após receber decisões favoráveis no STF.
Vale lembrar que as questões envolvendo o Banco Master começaram durante sua gestão, mantendo o assunto em pauta tanto política quanto institucionalmente.
