
Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, ataques aéreos realizados pelo Irã causaram danos ou destruição a pelo menos 228 instalações e equipamentos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, segundo uma análise de imagens de satélite divulgada nesta quarta-feira, 6, por um periódico americano. Esse número supera amplamente as previsões feitas pela administração de Donald Trump, que, conforme especialistas, subestimou a capacidade ofensiva do Irã.
A publicação informou ainda que essa ameaça resultou na diminuição do contingente de tropas nas bases americanas na região. As forças foram deslocadas para áreas mais seguras e fora do alcance dos ataques logo no início das hostilidades, conforme relataram autoridades. Dados do Exército dos EUA indicam que até o final de abril, sete militares perderam a vida e cerca de 400 ficaram feridos durante os confrontos.
A dificuldade em obter imagens via satélite tem aumentado significativamente. O The Post destacou que o governo da Casa Branca solicitou a dois grandes fornecedores comerciais, Vantor e Planet, que restringissem ou adiassem a divulgação dessas informações enquanto o conflito estivesse ativo. Essa ação foi tomada nas duas primeiras semanas do conflito.
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Dano extenso
Por outro lado, veículos de comunicação associados ao governo iraniano têm divulgado imagens orbitais em alta resolução com o objetivo de evidenciar os prejuízos aos ativos americanos. Para chegar à contagem final, o The Washington Post analisou mais de 100 imagens fornecidas por Teerã, contrastando-as com outras de qualidade inferior obtidas pelo sistema Copernicus da União Europeia (UE) e fotos da Planet quando disponíveis.
Dentre as imagens analisadas, apenas 19 foram consideradas inconclusivas e excluídas da contagem. Através da Planet, o jornal identificou 10 estruturas que não haviam sido relatadas pelo Irã. Ao todo, foram reconhecidas 217 estruturas e 11 equipamentos danificados ou destruídos em 15 locais militares americanos na área. Isso inclui hangares, alojamentos, depósitos de combustíveis, aeronaves e sistemas de comunicação e radar.
“Os iranianos miraram intencionalmente prédios destinados à habitação em diversas localizações com o propósito de ocasionar altas baixas”, comentou William Goodhind, pesquisador do projeto Contested Ground. Ele acrescentou que os alvos incluíam não apenas infraestrutura militar como também áreas vulneráveis como refeitórios e ginásios.
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Capacidade menosprezada
A maior parte dos danos ocorreu no quartel-general da 5ª Frota e nas três bases localizadas no Kuwait: Base Aérea de Ali al-Salem, Campo Arifjan e Campo Buehring (quartel-general regional das Forças Armadas dos Estados Unidos). Um oficial americano revelou em condição de anonimato que as bases no Bahrein e no Kuwait foram as mais impactadas devido à sua utilização para lançamentos dos EUA.
Além disso, o The Post apurou que os ataques também atingiram um centro de comunicações via satélite na Base Aérea de al-Udeid no Catar; sistemas antimísseis Patriot nas bases aéreas Riffa e Isa no Bahrein; na Base Aérea de Ali al-Salem no Kuwait; uma antena parabólica na Atividade de Apoio Naval do Bahrein — sede da 5ª Frota americana —; uma usina elétrica em Campo Buehring no Kuwait; além de cinco locais destinados ao armazenamento de combustíveis em três bases diferentes.
Especialistas consultados destacaram que a magnitude dos ataques levantou uma questão crítica: as forças iranianas mostraram-se mais resilientes do que as expectativas da administração Trump previam. Kelly Grieco, pesquisadora sênior do Stimson Center, afirmou que os planos voltados à destruição das capacidades militares iranianas falharam ao não considerar “a profundidade da inteligência sobre alvos fixos dos EUA disponível para o Irã”.
