quarta-feira, junho 10

ONU aprova medida para fiscalização do programa nuclear iraniano

Na quarta-feira, 10, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tomou uma decisão em Viena, ao aprovar uma resolução que exige do Irã a autorização para a verificação de seu estoque de urânio enriquecido, além de garantir o acesso completo dos inspetores da agência da ONU às suas instalações nucleares.

A proposta, elaborada pelos Estados Unidos com o apoio do Reino Unido, França e Alemanha, recebeu a aprovação de 21 dos 35 membros do conselho. Oito integrantes se abstiveram, enquanto Rússia, China e Níger votaram contra a medida.

A resolução destaca que é “essencial e urgente” que o governo iraniano forneça, “sem demora”, informações detalhadas sobre suas reservas de material nuclear e sobre o planejamento de suas instalações.

A controvérsia envolvendo o programa nuclear iraniano já perdura há mais de dez anos. Em 2015, o Irã assinou um pacto com diversas potências globais, incluindo os Estados Unidos, com o objetivo de restringir o enriquecimento de urânio e evitar a criação de armas nucleares.

No entanto, esse acordo foi desfeito por Washington durante a presidência de Donald Trump, resultando em um aumento gradual das atividades nucleares por parte de Teerã.

Continua após a publicidade

A AIEA estima que, antes dos ataques realizados por Israel e pelos EUA às instalações nucleares iranianas no ano anterior, o país dispunha de aproximadamente 441 quilos de urânio enriquecido a até 60%, um nível considerado próximo ao necessário para armamentos nucleares. Apesar dos danos provocados nos complexos nucleares, acredita-se que uma quantidade significativa desse material permaneceu intacta.

“Os ataques do regime israelense e dos EUA às instalações nucleares do Irã interromperam as atividades de verificação e forçaram os inspetores da agência a deixar o Irã por motivos de segurança”, afirmou Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, no X antes da votação do Conselho de Governadores. “Agora, os EUA tentam transformar as consequências de seu ataque ilegal em um caso contra a República Islâmica do Irã”, acrescentou.

A aprovação da resolução pela AIEA ocorre em meio a uma nova escalada nas tensões na região, após um helicóptero americano ter caído perto do Estreito de Ormuz, sendo atribuído a responsabilidade à Teerã pelo presidente dos EUA, que ordenou uma série de ataques em retaliação.

Nesta quarta-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, criticou a situação atual marcada por um estado “nem guerra nem paz” com os Estados Unidos e fez um apelo por negociações. No entanto, ele ressaltou que as forças iranianas não recuarão diante das ameaças.

Publicidade