quinta-feira, agosto 20

Projeto de Niemeyer, adormecido por 20 anos, finalmente se concretiza no Amazonas

Uma das mais significativas criações do renomado arquiteto Oscar Niemeyer começa a se materializar em um dos locais mais icônicos da Amazônia, contribuindo para o avanço do processo de requalificação urbana em Manaus. Com o projeto concebido há mais de 20 anos e a conclusão prevista ainda para este ano, a Oca se tornará o principal destaque arquitetônico do Parque Encontro das Águas Rosa Almeida, localizado na zona Leste da cidade, em frente à confluência das águas escuras do rio Negro com as barrentas do Solimões. Esta construção surge em um período de revitalização urbana que visa reabilitar espaços públicos e o Centro Histórico, com a meta de aprimorar tanto o turismo quanto a qualidade de vida da população, aproveitando um patrimônio que nenhuma obra pode criar: a sua geografia singular. Novos mirantes, áreas de convivência, restauração de edifícios históricos e novos centros culturais buscam reconectar Manaus aos seus rios.

A ideia para a Oca foi proposta em 2005, durante a administração do prefeito Serafim Corrêa, que convocou Niemeyer para desenvolver um espaço que valorizasse o Encontro das Águas. Com 97 anos na época, o arquiteto encontrou inspiração na própria paisagem amazônica. “A Amazônia é um lugar fantástico, tem o rio, o encontro dos rios”, afirmou. Originalmente batizada como Memorial Encontro das Águas, sua inauguração estava prevista para 2006, mas foi adiada devido à falta de recursos financeiros e atravessou várias gestões sem ser realizada. Sob a atual administração, o projeto original recebeu atualizações e foi integrado a uma estratégia urbanística mais abrangente.

Com uma área total superior a 120.000 metros quadrados, o Parque Encontro das Águas Rosa Almeida contará com espaços verdes, trilhas para caminhada, áreas destinadas à contemplação e convivência social, além de restaurante e quiosques. No centro desse complexo se ergue a Oca, uma estrutura de concreto que se destaca por suas duas grandes lâminas inclinadas que representam os rios Negro e Solimões. Assim, a própria arquitetura é uma extensão da paisagem ao seu redor e busca converter esse fenômeno natural em uma experiência cultural enriquecedora.

“Manaus já é reconhecida pela força da natureza que possui. Estamos dando nova dimensão a essa potência através da cultura, da arquitetura e da experiência urbana”, ressalta o prefeito Renato Junior. Sendo esta a primeira obra de Niemeyer no estado do Amazonas, a Oca não só contribui para a transformação urbana da capital como também traz consigo a assinatura de um dos arquitetos mais influentes do planeta, projetando este novo espaço público como uma referência internacional em arquitetura, turismo e sustentabilidade.

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