
Um dia após Fernando Haddad (PT) declarar em uma entrevista à VEJA que, se eleito governador, precisará realizar uma revisão aprofundada nos contratos e nas contas de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) respondeu às críticas, chamando de “absolutamente falso” o diagnóstico que sugere deixar um Estado sem recursos para seu sucessor. Em uma conversa com VEJA na quarta-feira, 26, o atual governador e candidato à reeleição garantiu que as finanças do estado estão saudáveis e aproveitou para criticar o rival: “É surpreendente que quem quebrou o Brasil esteja falando sobre finanças.”
No dia anterior, Haddad, que também ocupou o cargo de ministro da Fazenda durante o governo Lula, havia afirmado que não conseguiria iniciar uma possível gestão sem antes revisar contratos e despesas. Ele argumentou que essa ação seria essencial para liberar espaço no orçamento e restaurar a capacidade de investimento do Estado. O petista mencionou diversos aspectos, incluindo a situação fiscal de São Paulo, as privatizações e concessões, além da qualidade dos serviços públicos.
Tarcísio refutou a análise utilizando principalmente dados sobre o resultado primário. Segundo ele, em 2023, São Paulo teve um superávit de R$ 5,5 bilhões, seguido por R$ 12,9 bilhões em 2024 e R$ 8,5 bilhões em 2025. Esses números totalizam aproximadamente R$ 27 bilhões. Ele contrastou esse desempenho com o governo federal, que teria acumulado um déficit de R$ 335 bilhões no mesmo período conforme suas estimativas.
O governador também destacou que a disponibilidade de caixa livre do Estado se manteve praticamente constante ao longo de sua gestão, mesmo com o aumento nos investimentos. Com base nas informações apresentadas por Tarcísio, em 2022 São Paulo possuía R$ 23 bilhões em caixa livre e deve finalizar 2025 com R$ 22 bilhões. “Estamos realizando investimentos de R$ 110 bilhões em tesouro durante esses quatro anos”, afirmou.
No decorrer da entrevista, Tarcísio afirmou ainda que outros indicadores fiscais apresentaram melhorias sob sua administração. Ele mencionou a diminuição das despesas com pessoal e a redução do endividamento do estado, enfatizando que isso permitiu uma ampliação da capacidade de investimento sem comprometer a liquidez financeira. “Em todos os aspectos que analisarmos, podemos concluir que São Paulo é um estado fiscalmente sólido, ao contrário do cenário observado na União”, disse ele.
Críticas à economia nacional
Tarcísio comentou sobre as reformas implementadas durante sua gestão para aumentar a capacidade de investimento e preparar-se para possíveis períodos de recessão no próximo governo federal. Entre as ações destacadas estão reformas administrativas, revisão de despesas, fechamento de entidades estatais e renegociação da dívida com a União.
O governador também alertou sobre o aumento dos custos do crédito e as dificuldades enfrentadas pelas empresas para rolar suas dívidas, além do crescente endividamento das famílias brasileiras. “Estamos muito preocupados com a restrição ao crédito e percebendo que o Brasil pode estar se encaminhando para uma recessão”, declarou. Para ele, a situação fiscal nacional influenciará diretamente na execução dos projetos planejados para os próximos anos em São Paulo.
