
Nesta quarta-feira, 30, os Estados Unidos finalizaram a retirada de suas últimas tropas do Iraque, encerrando uma presença militar que teve início com a invasão do país em 2003. Com a saída dos soldados americanos, que estavam predominantemente em bases na região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque, chega ao fim a missão de combate ao Estado Islâmico, transferindo a responsabilidade pela segurança nacional para as forças iraquianas.
O Pentágono informou que Washington continuará a prestar apoio pontual aos seus parceiros iraquianos, incluindo treinamento e compartilhamento de informações. “Este marco simboliza o êxito de uma campanha de 12 anos que eliminou o Estado Islâmico como uma ameaça militar organizada no Iraque e na região”, afirmou Sean Parnell, porta-voz do Departamento de Defesa, em um comunicado.
Ele acrescentou que o término da missão indica a transição de uma operação de coalizão em tempos de guerra para uma relação bilateral de segurança mais convencional.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali Faleh al-Zaidi, também comemorou o fim da missão e declarou que o país inicia um novo ciclo. “Estamos adentrando uma nova fase, marcada pela soberania do Iraque, pela robustez de suas instituições, pelo preparo das suas forças armadas, pela unidade nas decisões e por parcerias equilibradas com nossos aliados”, ressaltou.
A retirada foi acordada em 2024 durante o governo do então presidente Joe Biden, mas executada pela administração de Donald Trump. As tropas americanas já haviam se retirado do Iraque em 2011, mas retornaram em 2014 a pedido do governo iraquiano após o Estado Islâmico conquistar vastas áreas do território. Em seu auge, em 2007, mais de 170 mil militares dos Estados Unidos estavam presentes no Iraque.
Pressão iraniana
A retirada das tropas americanas ocorre em um contexto de crescente influência iraniana no Iraque. Após a queda de Saddam Hussein, Teerã estabeleceu relações estreitas com partidos políticos e grupos armados xiitas. As milícias apoiadas pelo Irã passaram a ter um papel significativo tanto dentro quanto fora das instituições governamentais.
A milícia iraquiana As’hab Al-Kahf, que recebe apoio do Irã, celebrou a saída das tropas americanas e descreveu o evento como uma retirada forçada sob ataques de drones e mísseis da resistência.
Ainda assim, persiste a preocupação com o Estado Islâmico. Apesar da perda dos territórios que controlava e da derrota do seu autoproclamado califado em 2017, células adormecidas continuam atuando no Iraque.
No decorrer da luta contra essa organização terrorista, os Estados Unidos ofereceram às forças iraquianas treinamento, inteligência e vigilância aérea. Contudo, há receios de que essa retirada possa gerar nova instabilidade caso as forças iraquianas não consigam lidar simultaneamente com as milícias e os remanescentes do Estado Islâmico.
A memória da retirada ocorrida em 2011 é um ponto sensível na discussão atual: menos de três anos após o retorno das tropas americanas ao país devido à ascensão do Estado Islâmico, grandes áreas do território iraquiano foram tomadas pelo grupo terrorista.
Manutenção das relações
A finalização da presença militar não implica no rompimento das relações entre Washington e Bagdá. A expectativa é que os dois países continuem colaborando em áreas como treinamento militar, contraterrorismo e intercâmbio de informações. Além disso, os Estados Unidos mantêm uma considerável influência econômica sobre o Iraque através da gestão das receitas petrolíferas e do acesso ao dólar americano.
A presença americana no Iraque teve início com a invasão em 2003, resultando na derrubada de Saddam Hussein e dando origem a anos marcados por insurgências violentas e instabilidade sectária. Em seu pico, em 2007, mais de 170 mil soldados dos EUA estavam presentes no país. Embora as forças americanas tenham deixado o Iraque em 2011, elas retornaram em 2014 para auxiliar no combate ao Estado Islâmico.
