
O Bank of America foi penalizado em US$ 1,2 bilhão devido a falhas em seus mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, após não relatar mais de US$ 5 bilhões em atividades suspeitas às autoridades dos Estados Unidos. O anúncio da sanção ocorreu na terça-feira, dia 13, e impactou os resultados financeiros do banco referentes ao terceiro trimestre, que foram divulgados no dia seguinte, 14.
A multa foi imposta pela Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro que atua no combate a delitos financeiros. O FinCEN destacou que as deficiências incluíram problemas na identificação e comunicação sobre riscos associados a redes chinesas de lavagem de dinheiro, além de operações ilegais na fronteira sudoeste dos EUA.
Dentro dessa penalidade está incluída uma cobrança de US$ 750 milhões estabelecida pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC), entidade responsável pela supervisão dos bancos nacionais. Esse valor será considerado na liquidação da multa da FinCEN, evitando assim que ambas as multas sejam pagas separadamente.
<spanEm um acordo distinto, o banco concordou em desembolsar US$ 11,6 milhões ao Office of Foreign Assets Control (OFAC), que supervisiona a implementação de sanções econômicas. Esse entendimento abrange possíveis infrações relacionadas a restrições impostas sobre o Irã, a Rússia, tráfico de drogas e atividades terroristas.
Problemas persistem após ordens anteriores
Conforme informações do OCC, o sistema de monitoramento do Bank of America não conseguiu acompanhar adequadamente trilhões de dólares em transações financeiras. Como resultado, houve atrasos significativos no envio de relatórios sobre operações suspeitas que envolviam quantias bilionárias.
O regulador também apontou falhas no treinamento das equipes e inadequações nas auditorias internas. A instituição já enfrentava uma ordem anterior emitida em dezembro de 2024 para corrigir seu programa contra lavagem de dinheiro; no entanto, o OCC informou que os problemas persistiram.
No acordo com a FinCEN, o Bank of America reconheceu ter infringido normas legais dos EUA que exigem sistemas adequados para detectar e reportar atividades suspeitas. Essa obrigação é crucial para permitir investigações por parte das autoridades sobre potenciais crimes; contudo, uma transação suspeita não necessariamente implica em lavagem de dinheiro.
Queda nos lucros para US$ 6,9 bilhões
No terceiro trimestre deste ano, o Bank of America reportou um lucro líquido de US$ 6,9 bilhões, uma queda em relação aos US$ 8,3 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O lucro por ação também recuou de US$ 1,04 para US$ 0,91.
Esse balanço inclui uma despesa referente à multa regulatória no valor de US$ 1,2 bilhão. Sem considerar esse impacto, o lucro por ação teria sido de US$ 1,08, ainda abaixo da previsão média de US$ 1,10 estabelecida por analistas consultados pela LSEG.
Além da sanção financeira imposta, os resultados também foram influenciados pelo desempenho das operações nos mercados. As receitas provenientes das comissões bancárias caíram 11%, totalizando US$ 1,8 bilhão; enquanto os ganhos com negociação registraram uma queda de 5%, somando US$ 5,1 bilhões.
O banco deverá colaborar com uma entidade externa para identificar e relatar transações suspeitas que não foram detectadas anteriormente. Reportagens indicam que a instituição se comprometeu a aumentar suas equipes para abordar as lacunas existentes nos controles internos.
