quarta-feira, fevereiro 4

Paisagens urbanas se renovam com florestas verticais

Em resposta ao superaquecimento e à monocromia das metrópoles, prédios revestidos por vegetação – conhecidos como florestas verticais – têm ganhado espaço em várias cidades ao redor do mundo. Essas construções atuam como verdadeiras árvores, ajudando a resfriar o ar, capturar CO₂, abrigar fauna e melhorar o bem-estar dos moradores.

A origem do conceito

O conceito surgiu em 2007, quando o arquiteto italiano Stefano Boeri questionou a proliferação de arranha-céus de vidro em Dubai, que refletiam o sol e intensificavam o efeito de forno urbano. Motivado pela ideia de cobrir fachadas com vegetação, Boeri projetou o Bosco Verticale, inaugurado em Milão há dez anos.

Bosco Verticale e seus benefícios

O complexo milanês é formado por duas torres residenciais adornadas com centenas de árvores e milhares de plantas distribuídas em sacadas. A vegetação reduz a temperatura interna em até 3 °C, filtra a luz solar, libera vapor d’água e melhora a qualidade do ar. Jardineiros especializados, apelidados de “jardineiros voadores”, são responsáveis pela manutenção das plantas em grandes alturas.

Novos projetos pelo mundo

Desde Milão, florestas verticais passaram a surgir em diversas cidades, como Nanjing (China), Eindhoven (Holanda), Montpellier (França), Denver (EUA) e Cairo (Egito), este último em fase de construção. Nem todas as iniciativas são destinadas ao público de alto poder aquisitivo.

Moradia social verde

Em 2021, Eindhoven inaugurou a Floresta Vertical Trudo, projeto de moradia social com aluguel máximo de 600 euros. Em Montpellier, um terço das unidades de um complexo verde será ocupado por famílias com renda reduzida, demonstrando que sustentabilidade urbana também pode ser acessível.

Impacto na saúde mental

Pesquisas indicam que ambientes com vegetação aumentam a satisfação no trabalho, melhoram a qualidade do ar e reduzem sintomas de ansiedade e depressão. No País de Gales, um estudo com mais de 2 milhões de registros médicos associou áreas verdes a 40% menos casos de transtornos mentais, efeito ainda mais acentuado em regiões economicamente desfavorecidas.

Hospitais verdes e edifícios inovadores

Na Bélgica, o projeto Hospiwood 21 adota florestas verticais em hospitais para acelerar a recuperação de pacientes. Em Milão, o novo Hospital Policlínico terá um telhado verde de 7 mil m². Em Taipei, o edifício Tao Zhu Yin Yuan, com formato de dupla hélice de DNA, abriga 23 mil plantas que capturam cerca de 130 toneladas de CO₂ por ano e reduzem em até 30% o uso de ar-condicionado.

Cidades planejadas como florestas

Projetos de cidades completamente verdes também estão em andamento. Em Liuzhou (China), a Cidade da Floresta pretende receber 30 mil habitantes e gerar energia própria. Em Cancún (México), a Cidade da Floresta Inteligente planeja proibir veículos a combustão. Tais iniciativas apontam para uma arquitetura urbana que prioriza a natureza.

Manifesto urbano

Para Stefano Boeri, florestas verticais são mais que soluções técnicas: representam manifestos políticos e culturais, reafirmando a necessidade de reinserir a natureza nos espaços construídos. Como lembra o filósofo Emanuele Coccia, “a natureza não é algo do passado; ela é o nosso futuro tecnológico”.

O crescimento dessas construções sugere que o futuro das cidades pode ser mais fresco, silencioso e vivo.

Com informações de Fatosdesconhecidos