
Nesta quarta-feira, 6, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que os Estados Unidos estão tentando obrigar Teerã a se render por meio de diversas estratégias, incluindo um bloqueio naval no Estreito de Ormuz. A afirmação de Ghalibaf, que é um dos principais negociadores do Irã, surge em um contexto de intensificação das negociações para encerrar o conflito que começou no final de fevereiro.
“O inimigo, em seu novo plano, procura desestabilizar a unidade nacional através de um bloqueio naval, pressão econômica e manipulação da mídia para nos forçar a capitular”, afirmou ele em uma mensagem de voz divulgada em seu canal oficial no Telegram.
Esses comentários ocorrem enquanto Teerã avalia uma proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim ao conflito que se arrasta desde 28 de fevereiro. Segundo informações do portal Axios, Washington apresentou um memorando com 14 pontos com o objetivo não apenas de formalizar o término da guerra, mas também de estabelecer uma base para futuras discussões sobre o programa nuclear do Irã.
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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, informou que Teerã está avaliando a proposta e que sua decisão final será comunicada ao Paquistão, mediador na crise. O governo americano expressa otimismo quanto à possibilidade de um acordo de paz, apesar das ameaças feitas publicamente pelo presidente Donald Trump, caso a proposta seja rejeitada.
“Se eles não concordarem, os bombardeios terão início e serão muito mais intensos do que antes”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
A dinâmica das negociações avança após um período de tensões elevadas no Estreito de Ormuz, que diminuíram quando os Estados Unidos decidiram suspender uma operação militar destinada a escoltar navios nessa importante rota marítima, permitindo assim espaço para as negociações.
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A expectativa é que Washington receba respostas sobre questões essenciais do Irã nas próximas 48 horas. Embora ainda não haja nenhum acordo firmado, fontes do governo americano indicaram ao Axios que este é o momento mais próximo que as partes chegaram a um consenso desde o início dos conflitos. Os principais negociadores dos EUA são os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, que mantêm comunicação com diversos representantes iranianos através de contatos diretos e mediadores.
“Estamos prestes a finalizar isso em breve. Estamos realmente nos aproximando”, disse uma fonte ligada ao Paquistão à agência Reuters. O ministro das Relações Exteriores paquistanês está empenhado em garantir que qualquer acordo resulte em um “fim duradouro” do conflito.
