
O Brasil foi excluído da lista de países que atendem integralmente as exigências sanitárias para a exportação de produtos de origem animal, como carnes, segundo uma decisão da União Europeia. Publicada nesta quarta-feira (13), essa medida pode ameaçar cerca de 2 bilhões de dólares em vendas brasileiras ao mercado europeu.
A nova diretriz começará a vigor a partir de 3 de setembro e atinge nações que, conforme a avaliação da UE, não garantiram adequadamente a conformidade com os padrões sanitários exigidos.
Para o Brasil, a principal preocupação está relacionada ao uso de antimicrobianos na pecuária. As autoridades europeias afirmam que o país não conseguiu demonstrar de maneira convincente que esses medicamentos não são administrados aos animais destinados à exportação. A União Europeia impõe regras rigorosas sobre o uso desses fármacos em tratamentos veterinários.
O efeito potencial dessa situação no agronegócio brasileiro é significativo. Dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura, indicam que a União Europeia importou mais de 368 mil toneladas de produtos brasileiros de origem animal em 2025, o que gerou um volume financeiro aproximado de 1,8 bilhão de dólares.
Essa decisão surge em um contexto crítico das relações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia. O anúncio foi feito apenas 12 dias após o progresso nas negociações do acordo de livre comércio entre os blocos, que enfrenta forte resistência por parte dos agricultores europeus, especialmente na França, onde ocorreram protestos e manifestações contra a importação de produtos agrícolas da América do Sul.
Conforme informações divulgadas pelo g1, Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, declarou que o governo brasileiro planeja responder às indagações da União Europeia em um prazo de até duas semanas, buscando regularizar a situação e mitigar impactos adicionais sobre as exportações.
Esse episódio destaca a crescente pressão sobre o agronegócio brasileiro em relação à rastreabilidade, sustentabilidade e normas sanitárias internacionais, temas que estão se tornando cada vez mais relevantes nas negociações comerciais globais.
