quarta-feira, agosto 5

Em meio a tensões com o Brasil, Trump volta suas atenções para a embaixada francesa

A pressão diplomática do governo de Donald Trump sobre o Brasil se estende também à Europa. Conforme reportado pelo jornal francês Le Figaro, os Estados Unidos estão ameaçando bloquear a nomeação de Aurélien Lechevallier, novo embaixador da França em Washington, como uma forma de represália às críticas feitas pela diplomacia francesa em relação à postura americana no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A revelação foi feita nesta quarta-feira, 5, apenas um dia após a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, um novo capítulo na crise entre os dois países. Apesar das razões por trás de cada caso serem diferentes, ambos refletem a estratégia da Casa Branca de empregar medidas diplomáticas para pressionar governos que não estão alinhados com sua política externa.

Impasse na ONU

Segundo o Figaro, Lechevallier estava previsto para assumir a embaixada francesa em setembro, mas o Departamento de Estado dos EUA ainda não concedeu o agrément, necessário para que um novo embaixador possa exercer suas funções no país anfitrião.

O entrave foi gerado por uma declaração da representação francesa em Genebra que criticou a decisão dos EUA de se opor à renovação do mandato de Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. Na ocasião, representantes franceses alegaram que Washington havia deixado de ser um “farol dos direitos humanos” e começado a se alinhar com nações como Rússia, Coreia do Norte e Nicarágua.

A publicação menciona que autoridades americanas consideraram essa declaração como “irresponsável”, “desrespeitosa” e “arrogante”, resultando no congelamento temporário da nomeação do diplomata francês.

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Atritos Recentes

Este episódio é apenas mais um entre muitos conflitos recentes entre Paris e Washington, que nos últimos meses têm divergido sobre questões relacionadas a direitos humanos, tarifas comerciais, segurança no Oriente Médio, questões na Groenlândia e alegações de interferência em eleições europeias. Em um desses momentos tensos, a delegação americana deixou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU durante um discurso proferido pela França.

Os jornais franceses Le Figaro e Le Monde também ressaltam a recente decisão dos EUA de revogar o visto de Viotti. De acordo com as publicações, essa ação contra a embaixadora brasileira representa uma demonstração significativa de pressão diplomática vinculada ao atraso do governo Lula em conceder o agrément ao indicado por Trump para liderar a embaixada americana em Brasília, Daniel Perez.

A administração dos Estados Unidos indicou que a revogação do visto pode ser revertida caso o Brasil aprove a nomeação do diplomata. Em resposta, o Planalto classificou essa decisão como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o país.

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