quarta-feira, agosto 5

Irã e Omã firmam parceria para administração do Estreito de Ormuz

Nesta quarta-feira, dia 5, o Irã revelou que chegou a um entendimento com Omã a respeito da gestão e divisão do Estreito de Ormuz, uma rota vital que transporta cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano comunicou que as equipes de negociação de ambos os países estão finalizando os detalhes sobre a administração compartilhada da passagem e a supervisão do tráfego de embarcações na região.

“As coordenadas geográficas da nova rota proposta por ambos os países já foram estabelecidas. Caso não haja interferência externa, a declaração conjunta, que sintetizará os principais pontos acordados e considerações pertinentes, também está em fase final de revisão e elaboração”, declarou Esmaeil Baqaei, porta-voz do ministério.

A proposta introduz um novo sistema de navegação, distinto do utilizado antes do conflito. Segundo o acordo, as embarcações acessarão o Golfo Pérsico através de uma rota sob controle iraniano e deixarão a área por uma passagem administrada por Omã, com o objetivo de reestruturar o fluxo marítimo na região.

Embora as negociações tenham avançado, Baqaei enfatizou que esse entendimento bilateral não será suficiente para garantir a segurança no estreito. Ele destacou que o impasse persiste devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos e à resistência de Washington em aceitar cobranças de pedágios ou requisitos de autorização por parte do Irã para navegação.

Ponto de tensão

A rota marítima, crucial no contexto das tensões no Oriente Médio, tem sido um dos principais focos durante as tentativas diplomáticas para resolver o conflito e foi responsável por novas ofensivas entre Irã e Estados Unidos, especialmente após os acordos de cessar-fogo firmados em abril e junho.

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Este novo entendimento foi assinado poucas horas após o presidente americano Donald Trump declarar que o Irã enfrentaria sérias consequências caso as conversas para reabrir o estreito não prosperassem.

O Irã manifestou seu desejo de aumentar seu controle sobre essa rota e implementar cobranças de pedágios, algo que não ocorria antes do conflito, medidas que são fortemente contestadas pelos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores iraniano também negou estar negociando diretamente com Washington, apesar das afirmações insistentes de Trump sobre conversas em andamento. Por outro lado, o Catar, atuando como mediador nas discussões, confirmou que os diálogos continuam ativos, mas sem reuniões diretas programadas entre as partes.
Possíveis termos do acordo
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O portal Axios informou, sob condição de anonimato, que autoridades regionais e um funcionário americano discutiram um possível arranjo para 60 dias visando segurança na passagem pelo estreito — tempo durante o qual não haveria cobrança de pedágio. Este acordo, em negociação há semanas, procura restaurar o cessar-fogo e reiniciar um processo diplomático mais amplo com foco em um acordo nuclear.

Essas conversas incluíram diálogos diretos entre Omã e Irã, além da mediação do Catar, Paquistão e Arábia Saudita. A participação da Casa Branca foi ativa: segundo informações do Axios, várias chamadas telefônicas foram realizadas entre Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e os ministros das Relações Exteriores do Irã (Abbas Araghchi) e Omã (Badr al-Busaidi).

Incidente no Mar Vermelho

As interrupções na navegação em Ormuz elevaram a relevância das rotas marítimas pelo Mar Vermelho, onde os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã e que controlam grandes áreas no Iêmen, anunciaram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita em 20 de julho. Além disso, realizaram ataques contra infraestruturas petrolíferas sauditas.

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O porto saudita localizado em Yanbu no Mar Vermelho permitiu à Arábia Saudita manter seus envios aos mercados internacionais sem passar por Ormuz. Desde o anúncio do bloqueio pelos hutis, diversos ataques contra navios foram reivindicados. Na última terça-feira, a embarcação indiana MSV Faize Noore Oliya afundou nas proximidades da costa iemenita após ser atingida por bombardeio. Autoridades indianas informaram que todos os 14 tripulantes foram resgatados; enquanto isso, o governo iemenita atribuiu a responsabilidade aos rebeldes.

Ainda na terça-feira passada, operações foram suspensas em um aeroporto localizado no sudoeste da Arábia Saudita devido a um ataque realizado pelos hutis nas proximidades da fronteira com o Iêmen.

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