quarta-feira, outubro 21

Toque de recolher em Paris é prorrogado por mais três noites diante da escalada de violência na França

Na quarta-feira, 21, as autoridades da França decidiram prolongar o toque de recolher em determinados bairros de Paris pela terceira noite consecutiva. Essa medida visa conter novos episódios de violência que surgiram após os protestos do último fim de semana, que resultaram em confrontos com a polícia, saques e danos a propriedades privadas e prédios públicos.

O toque de recolher será imposto das 23h até às 6h de quinta-feira, 22, no horário local. As áreas afetadas incluem a Place de la République e a região comercial do bairro Les Halles, que foram epicentros dos distúrbios. Além da restrição de circulação noturna, a polícia também proibiu aglomerações e manifestações não autorizadas a partir das 20h em locais estratégicos da capital, como a famosa avenida Champs-Élysées e as principais estações de trem.

Continua após a publicidade

Pessoas que residem, trabalham ou fazem parte de equipes de emergência estão isentas do toque de recolher, desde que apresentem justificativas para sua permanência nas áreas restringidas. Algumas linhas do metrô e trens também terão suas operações suspensas a partir das 22h.

Essa decisão surge em um contexto de crescente pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um clima generalizado de descontentamento popular e se prepara para novas mobilizações no sábado, 24.

Continua após a publicidade

Caos na França

A implementação dessas medidas ocorreu após manifestações no sábado, 17, que mobilizaram cerca de 550.000 pessoas em várias cidades ao redor da França, conforme informações do Ministério do Interior. Embora muitos atos tenham sido pacíficos, houve grupos que entraram em conflito com as forças policiais, vandalizando lojas e incendiando veículos e edifícios públicos.

Até o momento, as autoridades contabilizam aproximadamente 2.500 detenções relacionadas aos distúrbios. Mais de 3.000 estabelecimentos comerciais sofreram danos ou foram saqueados em todo o país.

Continua após a publicidade

+ Macron critica como ‘estúpidos’ comentários de líderes estrangeiros sobre os tumultos na França

A mobilização contou com a participação de estudantes, sindicalistas, membros do movimento dos Coletes Amarelos — que surgiu em 2018 contra o aumento dos combustíveis e as perdas no poder aquisitivo — além de ativistas políticos diversos. As manifestações expressam descontentamento com o aumento do custo de vida e com a qualidade dos serviços públicos oferecidos.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, atribuiu os atos violentos à extrema esquerda; entretanto, o partido França Insubmissa repudiou tais acusações e negou qualquer envolvimento na organização ou promoção da violência. O governo também citou a presença de indivíduos criminosos que teriam se aproveitado dos protestos para vandalizar e saquear.

Continua após a publicidade

Nesta semana em Paris, 557 indivíduos foram detidos devido aos distúrbios, conforme informou a promotora Laure Beccuau na terça-feira. Cerca de 300 desses detidos já compareceram perante um juiz. Segundo Beccuau, ninguém alegou motivação política para suas ações.

Diante da convocação para novos protestos no próximo sábado, o primeiro-ministro francês anunciou um esquema de segurança “massivo” e admitiu que as ações policiais anteriores foram excessivamente lentas e pouco eficientes.

Continua após a publicidade

Publicidade