
As sondas Voyager 1 e Voyager 2 seguem sua jornada no espaço interestelar com a parte principal dos sistemas de imagem desativada. Caso a NASA decidisse reativar hoje a câmera de qualquer uma delas, o provável registro seria dominado pela escuridão, pontuada apenas por estrelas e pelo Sol, que surgiria como a estrela mais brilhante do campo de visão.
Para prolongar o funcionamento dos equipamentos essenciais, a agência espacial desativou boa parte dos instrumentos a bordo. Atualmente, apenas quatro aparelhos científicos permanecem operacionais na Voyager 1 e cinco na Voyager 2, o que reflete os cortes feitos ao longo dos anos para poupar energia dos geradores de plutônio.
Antes de desligar seu sistema de imagem, a NASA apontou a câmera da Voyager 1 para a Terra, a cerca de seis bilhões de quilômetros de distância, e capturou a icônica fotografia conhecida como “Pálido Ponto Azul”. O registro foi desafiador devido ao risco de danos eletrônicos causados pela incidência direta da luz solar.
Após esse clique histórico, as sondas continuaram avançando para regiões sem retorno previsto, o que motivou a desativação definitiva das câmeras. Mesmo assim, a agência afirma que seria tecnicamente possível religar o sistema de imageamento.
Se isso ocorresse, o que realmente apareceria nas imagens seria praticamente um vazio. O Sol despontaria como um ponto intenso, alguns planetas poderiam ser captados como minúsculos discos brilhantes e as estrelas formariam um pano de fundo distante, ressaltando a solidão do equipamento tão longe da Terra.
Além disso, o software responsável pelo controle das câmeras foi removido das naves para economizar memória e energia. Os computadores terrestres que processavam essas imagens também não existem mais, o que tornaria inviável a reconstrução completa do fluxo de dados.
Imagem: Divulgação
Mesmo com a recriação dos sistemas em solo e o restabelecimento do software na espaçonave, a escuridão e o desgaste dos sensores gerariam imagens com alto nível de ruído, pouco aproveitáveis para observações científicas.
Para efeito de comparação, a sonda New Horizons capturou cenas semelhantes a seis bilhões de quilômetros da Terra, mostrando um campo quase vazio de corpos celestes. As Voyager, atualmente, encontram-se a uma distância pelo menos quatro vezes maior.
Outro desafio seria o tempo de comunicação: hoje, o sinal de comando despacha por até 22 horas até atingir a Voyager mais distante, o que implica cerca de 44 horas para receber cada imagem de volta à Terra.
Com informações de Misteriosdoespaco.blog
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