
A Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) suspendeu momentaneamente por dez dias todos os voos no Aeroporto Internacional de El Paso, na fronteira americana com o México, nesta quarta-feira, 11. A medida, considerada sem precedentes por autoridades do governo, foi motivada por “razões de segurança”, deixando milhares de viajantes presos.
As restrições foram suspensas poucas horas depois, mas pegaram o público de surpresa. À agência de notícias Reuters, um funcionário do governo americano afirmou que drones de cartéis mexicanos violaram o espaço aéreo dos EUA, fazendo com que o Departamento de Defesa tomasse medidas para desativar os drones. Depois da operação, a FAA determinou que não havia ameaça à aviação comercial, normalizando o fluxo aéreo.
Durante o primeiro aviso, ao anunciar a suspensão de operações, a FAA havia indicado que “nenhum piloto pode operar aeronaves nas áreas cobertas por esse alerta”. O espaço restrito pela agência englobava todo o espaço aéreo sobre El Paso, no oeste do Texas, e a cidade vizinha de Santa Teresa, no estado do Novo México. A medida entrou em vigor às 23h30 de terça-feira, 10, no horário local (aproximadamente 3h30 de quarta no horário de Brasília) e foi suspensa na manhã desta quarta.
O bloqueio havia sido confirmado oficialmente pelo aeroporto através das redes sociais, afirmando que todos os voos, “incluindo aviação comercial, de carga e geral” haviam sido suspensos. A restrição pegou passageiros e companhias aéreas de surpresa, fazendo com que muitas aeronaves ficassem presas no local.
Os viajantes devem entrar em contato com suas companhias aéreas para obter informações mais atualizadas sobre o status dos voos”, informou o perfil oficial do terminal.
No total, a área afetada incluía um raio de 18 km ao redor do aeroporto de El Paso — sem incluir o espaço aéreo mexicano — e não se aplica abaixo de 5.486 metros. Oficialmente, a agência de aviação não deu mais detalhes sobre a natureza das questões de segurança que motivaram o fechamento do aeroporto.
De acordo com o aviso da FAA, o espaço aéreo foi classificado como área de defesa nacional, e aeronaves transgressoras podem ser alvo de força letal caso sejam consideradas “uma ameaça iminente a segurança”. Além disso, a agência afirmou que pilotos podem ser “interceptados, detidos e entrevistados” por agentes da lei e seguranças.
Tensões regionais
Fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters já haviam afirmado que a suspensão dos voos estaria diretamente relacionada ao uso de tecnologia antidrone pelo Departamento de Defesa americano para combater cartéis de drogas mexicanos na fronteira. Em janeiro, o presidente Donald Trump afirmou que o México era controlado pelos cartéis e que Washington poderia atacar alvos terrestres para combatê-los.
As tensões entre os EUA e seus vizinhos na América Latina se tornaram mais frequentes desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025. No final do ano passado, o republicano deu início a um cerco militar na Venezuela que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro em 3 de janeiro. À época, a FAA restringiu voos por toda a região do Caribe devido a possíveis riscos de segurança.
Os receios quase se comprovaram em dezembro, quando uma aeronave de passageiros da JetBlue quase colidiu com um avião-tanque da Força Aérea Americana nas proximidades da Venezuela. Na época, o avião estava partindo de Curaçao, no Caribe, em direção a Nova York, sendo forçado a interromper a subida para desviar do veículo militar, que voava sem transponder ligado, um equipamento padrão de aviação utilizado para identificação da aeronave por radares.
