quarta-feira, março 25

Governo de Minnesota entra com ação contra Trump por fatalidades em operação anti-imigração

O estado de Minnesota abriu um processo contra o governo dos Estados Unidos para obter acesso a provas relacionadas a três tiroteios envolvendo agentes federais, incluindo os que resultaram nas mortes dos americanos Renee Good e Alex Pretti. A ação foi protocolada nesta terça-feira, 24, e acusa a administração Trump de reter intencionalmente materiais sobre as investigações. 

De acordo com a peça, assinada pelo procurador-geral Keith Ellison e pela procuradora do condado de Hennepin Mary Moriaty, o governo federal descumpriu sua promessa anterior de cooperar com o inquérito estadual. O processo representa uma escalada nos embates entre Washington e Minneapolis, alvo de uma ampla operação anti-imigração sob ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

“Estamos preparados para lutar pela transparência e pela responsabilização que o governo federal está desesperado para evitar”, disse Moriaty. 

Anteriormente, Trump havia sugerido que as autoridades estaduais não tinham jurisdição para abrir qualquer inquérito sobre os tiroteios. Mas a justiça de Minnesota insiste em conduzir suas próprias investigações por desconfiança em relação às diligências de Washington.

Uma das principais bandeiras de Trump desde seu retorno à Casa Branca, a cruzada anti-imigração reverberou por todo o território dos EUA, mas foi em Minnesota que atingiu o ápice. Milhares de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) foram enviados para a região metropolitana de Minneapolis-Saint Paul. A atuação gerou protestos barulhentos e uma greve geral, com “apagão econômico”. 

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Mortes de civis

Embora o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) considere oficialmente a operação como um sucesso, ela foi fortemente criticada devido à postura dos agentes e à morte de dois civis que protestavam contra as batidas. A poeta Renee Nicole Good, de 37 anos, e o enfermeiro Alex Pretti, também de 37, foram mortos a tiros em ocasiões diferentes.

Ambas as mortes ocorreram em janeiro e envolveram diretamente os policiais de imigração enviados pela Casa Branca a Minnesota. Good foi alvejada na cabeça por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) após supostamente avançar com o carro contra ele, enquanto Pretti foi baleado durante um protesto contra a presença do ICE. Ambos os incidentes são investigados pelo DHS, órgão responsável pela operação.

O processo também pede acesso aos documentos sobre um terceiro caso envolvendo o venezuelano Julio Cesar Sosa-Celis, baleado e ferido na coxa direita por um agente federal em janeiro. Inicialmente, as autoridades federais denunciaram o Sosa-Celis de ter agredido um policial do ICE, mas as acusações foram retiradas posteriormente, e um novo inquérito foi aberto para apurar se dois agentes mentiram a respeito do incidente.