quarta-feira, março 25

China reafirma compromisso de usar a força contra Taiwan, desafiando os EUA

Zhu Fenglian, porta-voz do gabinete de assuntos de Taiwan do governo chinês, declarou nesta quarta-feira, 25, que a China “jamais prometerá renunciar ao uso da força” contra a ilha democrática que considera sua. Foi uma resposta direta a um relatório de inteligência dos Estados Unidos publicado recentemente, que revelou que Pequim não planeja invadir o território taiwanês e prefere uma “unificação sem chegar ao conflito”.

“Estamos dispostos a criar amplo espaço para a reunificação pacífica e, com a máxima sinceridade e os maiores esforços, lutaremos pela perspectiva de uma reunificação pacífica. Mas jamais permitiremos que a soberania e a integridade territorial da China sejam minadas. Jamais prometeremos renunciar ao uso da força e manteremos a opção de tomar todas as medidas necessárias”, disse Zhu.

Ele acrescentou que a questão taiwanesa não admite interferência externa e reiterou que os Estados Unidos devem respeitar o princípio de “Uma Só China”, segundo o qual Taiwan é uma parte inalienável do seu território. A ilha funciona de fato como uma entidade autônoma, com governo, exército e moeda próprios, mas a maioria dos países não a reconhece formalmente como um Estado independente.

“Reunificação pacífica é nossa política básica para resolver a questão. Atualmente, a causa principal da complexa e grave situação no Estreito de Taiwan reside na conivência das autoridades taiwanesas com forças externas na busca provocativa pela ‘independência’. Jamais toleraremos isso nem demonstraremos qualquer indulgência em relação a tal situação”, concluiu Zhu.

Relatório americano

Um relatório anual de inteligência dos Estados Unidos, divulgado na última quarta-feira, revelou que a China não planeja invadir Taiwan no ano que vem, como previsto anteriormente. “Os dirigentes chineses não têm atualmente a previsão de executar uma invasão de Taiwan em 2027, nem contam com um calendário fixo para obter a unificação”, destacou o relatório de Avaliação Anual de Ameaças. “Em 2026, Pequim provavelmente continuará tentando estabelecer as condições para uma eventual unificação com Taiwan, sem chegar ao conflito”, acrescentou.

O documento avalia ainda que as autoridades chinesas reconhecem que uma invasão anfíbia de Taiwan “seria extremamente desafiadora e acarretaria um risco elevado de fracasso, especialmente no caso de uma intervenção dos Estados Unidos”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, já havia rebatido as informações na semana passada, afirmando que “a questão de Taiwan é um assunto interno da China” e pediu que o governo americano “fale e aja com prudência” a respeito da ilha.

Washington não reconhece Taiwan formalmente como país (apenas doze nações em todo o mundo mantêm laços diplomáticos com o governo local), mas é o principal apoio militar da ilha. O tom do suporte, no entanto, registrou uma leve flexibilização durante o governo do presidente Trump, para quem a defesa do território deveria ser responsabilidade exclusiva de Taipé.